Pela Sustentabilidade do Ativismo Político Feminista

A estratégia central do CFEMEA, entre 2015 e 2017, está voltada à sustentabilidade do ativismo e será desenvolvida em três linhas de trabalho principais: (i) o apoio à consolidação da Universidade Livre Feminista (ii) o impulsionamento da dimensão política do autocuidado e do cuidado entre ativistas e (iii) de formação na ação para a afirmação dos nossos direitos.

Desde 2008, o CFEMEA vem apostando na gestação da Universidade Livre Feminista. Até 2017, queremos apoiar a consolidação dessa nova proposta organizativa, construída de forma colaborativa por organizações feministas e mulheres de diferentes identidades e campos de atuação; um espaço para a reflexão e a troca de ideias e de experiências baseadas em práticas políticas e pedagógicas libertárias, transformadoras das e para as mulheres.

A Coletiva Dinamizadora da Universidade Livre definiu 4 diretrizes para orientar o seu trabalho nos próximos 5 anos, que devem ampliar seu escopo e atrair mais participantes:

  1. Formação política feminista para o fortalecimento das lutas e movimentos de mulheres;
  2. Comunicação que contribua para difusão de ações e posições feministas, campanhas e materiais de apoio à formação e articulação em redes de artivismo e ciberativismo no intuito de fortalecer processos de resistência e lutas feministas;
  3. Articulação entre coletivos feministas, artivistas e movimentos de mulheres do Brasil, América Latina e países de África de língua portuguesa.
  4. Organização e fortalecimento da Universidade Livre Feminista, consolidando-a como uma ação coletiva e colaborativa.

Três organizações feministas (CFEMEA, SOS Corpo e Cunhã) e uma rede de colaboradoras estão compromissadas em dedicar tempo e mobilizar recursos e mobilizar ativistas para a consecução dessas diretrizes.

A Universidade Livre tem como seus objetivos (i) gerar e impulsionar os processos de produção de conhecimento, aprendizagem e formação livres; (ii) facilitar a conexão entre pessoas, promovendo o intercâmbio de experiências e a sua expressão em diversas linguagens; (iii) fortalecer e colaborar para expandir a criação libertária artística, cultural e política das mulheres que estão na luta por transformação; e (iv) ampliar processos de construção política dos movimentos de mulheres e feministas; de seus pensamentos e de suas lutas.

A formação na ação política - por meio de cursos online, de jornadas de formação na ação e de conferências livres - e a comunicação política - por meio de um portal eletrônico dinâmico e catalizador de encontros e diálogos - são estratégias centrais para a Universidade Livre, que também assume o compromisso com a construção de novos processos e novas formas de organização feminista.

Sublinhamos, em especial, a formação na ação, pela qual articularemos e desenvolveremos processos de transmissão e apropriação da metodologia adotada pelo CFEMEA para o monitoramento do Parlamento e Governo Federal, pelos movimentos sociais. Subsidiando iniciativas coletivas de incidência política a partir das frentes de luta, jornadas, campanhas, comitivas feministas etc. O CFEMEA irá contribuir para fortalecer e criar novas formas de atuação, e o promovendo canais de interlocução e as condições de pressão em defesa dos direitos das mulheres frente ao Poder Público.

Para dar seguimento às ações de monitoramento legislativo no Congresso Nacional, com ações de resistência à ofensiva conservadora e a partir das sólidas alianças com os principais sujeitos políticos que estão no front da resistência, em particular no que se refere à pauta do aborto, o CFEMEA adotou uma nova tecnologia que se traduz na iniciativa denominada “Via Laica”. Esta iniciativa se dá em aliança com organizações que lutam por Direitos Humanos de modo geral, e com as organizações que compõem a Frente Nacional contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto (Frente Nacional) - que congrega redes nacionais e regionais https://frentelegalizacaoaborto.wordpress.com/. O Objetivo é qualificar o debate nas casas legislativas (federal, estaduais e municipais) e dar mais efetividade à incidência dessas organizações do campo democrático, em termos de afirmação e efetivação dos direitos sexuais e reprodutivos

Também queremos impulsionar a dimensão política do autocuidado e do cuidado entre as mulheres como parte da cultura organizativa e da prática política feminista. Partindo de uma das bases fundantes do pensamento e da ação feminista - o pessoal é político -, consideramos estratégico para as transformações sociais que almejamos que as mulheres de uma maneira geral, e as ativistas em especial, que investem sua energia, seu tempo e, algumas vezes, suas vidas nestas lutas possam viver bem, ter direitos e autonomia para decidir sobre questões íntimas, privadas e públicas.

Neste sentido, avaliamos que o cuidado/autocuidado é central na constituição individual e coletiva das ativistas como sujeitos que se empoderam, lidam com as adversidades e dão sustentabilidade às lutas por transformação social.

O trabalho combinado das duas linhas de ação (formação e cuidado entre ativistas), permitirá ao CFEMEA avançar na sua estratégia central de fortalecer a sustentabilidade do ativismo. Laboratórios, experimentações e processos sistemáticos de formação política são indispensáveis, fundamentais para avançarmos estrategicamente.

Ao mesmo tempo, contudo, é necessário responder às urgências das mulheres que estão na luta. E para tanto, precisamos mais que compromissos políticos e intelectuais, também compromissos emocionais, construir alianças, nos fortalecer. Porque custa caro para as ativistas colocar em questão o fundamentalismo religioso e o racismo patriarcal: ofensas, insultos, assédio moral, violência institucional, prisões arbitrárias, abuso e violência sexual, ameaças de morte, criminalização das mulheres e das nossas lutas, feminicídio, exploração ... são algumas das armas que o poder instituído, tanto na sociedade como no Estado, usa para nos imobilizar, reprimir, coibir, calar, conter os processos de transformação social alavancados pelas lutas das mulheres.

Os espaços de organização da luta são os lugares onde nos apoiamos, nos formamos e buscamos “proteção’’. Espaços para onde vamos quando sofremos algum ato de violência. Se os espaços organizativos são parte das estratégias de resistência, então eles devem possibilitar o autocuidado, amor próprio, a escuta, o reconhecimento mútuo e o cuidado entre nós. Precisam proporcionar o questionamento da ordem patriarcal que separa o pessoal do político e a experimentação de alternativas no sentido de sermos livres e para o Bem Viver.

   
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