Placas Marielle

Ato político de entrega de placas da Rua Marielle Franco marca um ano do assassinato da vereadora no DF. Foto: Janine Moraes

 

14 de Março de 2019 é o 105º aniversário da Carolina Maria de Jesus, mulher negra e periférica, catadora e escritora que contrariou as estatísticas que marcam sua raça, gênero e classe e tornou-se mundialmente conhecida pelas suas obras, entre elas o livro Quarto de despejo. Esse 14 março de 2019 também está marcado pelo aniversário do assassinato de Marielle Franco – mulher negra, lésbica, feminista, moradora de periferia, ativista e defensora de Direitos Humanos, junto com seu motorista Anderson Gomes.

Carolina Maria de Jesus e Marielle Franco são duas mulheres negras que em seus tempos denunciaram, lutaram e ecoaram a partir da escrita e da voz discursos que inquietavam, incomodavam, que instigavam muitas mulheres a lutar pela garantia dos seus direitos e de suas liberdades. Hoje a força dessas mulheres inspiram outras mulheres negras a se fortalecerem, se articularem politicamente para que o sonho de um dia terem liberdade de escolher, serem autônomas e terem seus direitos reconhecidos em suas múltiplas facetas aconteça em sua plenitude.

Os pontos em comum entre essas duas mulheres negras cessam quando adentramos nas causas de suas respectivas mortes. Carolina Maria de Jesus morreu em decorrência de uma insuficiência respiratória. Já Marielle Franco foi assassinada, uma execução política cujo mandante ainda é uma incógnita.

A frase de Angela Davis “quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela, porque tudo é desestabilizado a partir da base da pirâmide social onde se encontram as mulheres negras [...]" nos faz refletir sobre o quanto Marielle movimentou e desestabilizou a ordem machista, racista, LGBTfóbica, opressora e genocida da população negra e indígena que compõe o pico dessa pirâmide. Acreditavam piamente que, assim como fizeram ao longo da história com inúmeras mulheres negras desde a época da escravatura no Brasil, em que centenas de mulheres negras que não se calaram frente à violência, à opressão, à reclusão e aos açoites foram mortas sem punição, fariam com Marielle.

Eles conseguiram, num plano misógino e racista, assassinar Marielle, conseguiram tirar sua vida, mas não sua energia em defesa dos Direitos Humanos e sua sede por transformação social. Marielle se rebelou não somente nos corpos e mentes do movimento negro, do movimento de mulheres negras, mas se propagou para o movimento feminista, para todos os movimentos sociais, para muitas pessoas que tomaram consciência do peso social, político e cultural de tirar a vida de uma mulher negra, lésbica ativista, feminista em um Estado que por suas vias jurídicas e seus pactos sociais internacionais se autodeclara Democrático de Direito.

São muitas as linhas de investigação para descobrir quem matou e quem mandou matar Marielle Franco, pois os poderes paralelos e mesmo os instituídos no Rio de Janeiro se incomodavam com a sua atuação política e teriam vantagens em eliminá-la. Esta semana prenderam os dois ex-policiais militares executores, sendo um o autor dos disparos e o outro o condutor do veículo. Chegar aos executores de Marielle e Anderson é apenas o começo da resposta. É preciso conhecer e punir o/s mandante/s para que haja justiça para Marielle. Neste processo, todas as pessoas que podem ter informações sobre os reais mandantes e envolvidos no assassinato estão em risco e precisam ser protegidas.

Nós passamos um ano cobrando respostas para essa barbárie. A pressão das mulheres negras, feministas e dos movimentos sociais vai continuar para que se revelem todos os envolvidos, para que tenhamos resposta para a pergunta que não quer calar:

Quem mandou matar Marielle?

#JustiçaParaMarielle

#Mariellepresentehojeesempre

   
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