o pessoal e politico final

O segundo selo comemorativo dos 30 anos do CFEMEA traz uma das reflexões mais subversivas do feminismo. Desde que as feministas afirmaram que o pessoal é político, a separação entre as esferas pública e privada, tão conveniente ao poder patriarcal está sendo desmascarada. Essa separação falaciosa esconde, na verdade, a exploração de tempo e energia das mulheres que o patriarcado racista e capitalista depende para dominar e lucrar.

A ordem social que sustenta o racismo patriarcal e a individualidade dos homens no poder está erguida sobre os alicerces dos vínculos afetivos e sexuais, do abrigo, dos cuidados, enfim, das condições emocionais criadas e mantidas pelas mulheres, com responsabilidades desiguais, ordenadas pelas relações de classe, raça, étnicas e de gênero em que cada uma se situa.

Com o foco feminista, apontamos e dissecamos a falsa separação entre o pessoal e o político, rejeitamos esses dualismos e os significados de superioridade que conferem à masculinidade e à branquitude.

Por isso mesmo, desenvolvemos o esforço consciente de manter os vínculos afetivos, valorizar as emoções e os sentimentos como parte indispensável tanto à sustentação da nossa individualidade nos vínculos com o coletivo, quanto ao fortalecimento do nossos movimentos como sujeito político da mudança. Tal consciência evita que caiamos na armadilha de reproduzir as relações de poder e dominação (no ambiente doméstico e público) com outras pessoas (geralmente outras mulheres sujeitas a múltiplas formas de discriminação), sob o pretexto de viabilizar ou fortalecer as mulheres nos espaços de poder.

É urgente e necessário reinventar a política e experimentá-la como espaço feminista, sem os dualismos do racismo patriarcal, sem separar o pessoal do político, mesmo que seja de forma laboratorial. Acreditamos ser estratégico criar lugares de experimentação, aportes aqui e agora para mudar a forma como se exerce o poder, plantar sementes e abrir oportunidades para que germinem respostas futuras de modos de organização política capazes de promover diálogos, reconhecer e valorizar as individualidades reunidas e potencializadas para constituir o sujeito coletivo. Favorecer que se mantenham e se proliferem grupos, movimentos, formas de organizar a luta que sejam fundamentadas na capacidade de decisão de cada uma das integrantes; que valorizem e repartam de forma justa, equânime, solidária e amorosa os ônus e os bônus das batalhas.

Leis mais sobre este debate na publicação Cuidado entre Ativistas: Tecendo redes para a resistência feminista

 
 
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