No domingo passado, foram eleitas 77 deputadas federais, sendo 66 brancas, 10 negras e uma indígena. Pela primeira vez na história do Brasil, uma mulher indígena vai ocupar uma cadeira na Câmara, Joenia Wapichana (Rede/RR). Ainda faltam muitas outras indígenas, muitas outras negras e muito mais mulheres para alcançarmos a democrática e justa paridade. De toda forma, a luta que marca a conquista de Joenia tem o nosso aplauso e solidariedade!

 

A bancada feminina na Câmara cresceu mais de 50% em relação ao pleito de 2014. Em relação ao conjunto da Câmara, a bancada aumentou de 10% para 15% do total de deputados. É um aumento significativo, mas ainda assim continuamos a ser um dos países do mundo com a menor representação feminina no parlamento.

 

Superando o índice de renovação na Câmara, que foi de 47%, a bancada feminina apresenta uma renovação de 61%, são 47 novas deputadas. A nova composição de eleitas na câmara apresenta uma diversidade maior, tendendo para uma polarização político-ideológica.

 

Há 9 novas deputadas eleitas pelo PSL, partido de Jair Bolsonaro, que antes não tinha nenhuma representação feminina na Câmara. O PSOL, por outro lado, também conseguiu criar espaço importante entre as eleitas. Na legislatura passada não elegeu nenhuma candidata, mas teve a migração de Luiza Erundina (antes PSB) no meio do mandato, e agora se firma com 5 deputadas (metade da bancada do partido), sendo 4 delas representantes de mandatos coletivos, em sua maioria, mulheres negras e da periferia, como Aurea Carolina (MG) e Talíria Petrone(RJ).

 

Dentre os partidos com bancadas mais expressivas, o PT ganhou apenas 1 cadeira a mais, e agora tem 10 deputadas, e o PSDB, que sofreu derrota nas duas Casas, mesmo assim, aumentou de 5 para 8 as mulheres eleitas sob esta legenda.

 

Para além do PT e PSL, as maiores bancadas femininas partidárias ficaram com PR, com 6, PP com 5 junto com PSOL e seguidos por PCdoB e MDB(PMDB) com 4, cada. Entre as menores representações partidárias estão DEM, PRB, PDT, PSB com 3 deputadas cada. Avante, PPS com 2, cada, e os demais NOVO, PODEMOS, PROS, PRP, PSD, PTB, PTC, PV, REDE e Solidariedade com 1 eleita por cada.

 

Ainda não é possível, dadas as disputas para o segundo turno, avaliar o tamanho do chamado “centro”, ou seja, de deputadas que não tem uma agenda ideológica progressista ou conservadora. O PSL de Jair Bolsonaro passou de 1 deputado eleito para 52. Esse expressivo aumento revela um reforço das bancadas autoritárias da Bala e da Bíblia na nova Legislatura e sua pauta conservadora seguirá presente na condução do processo legislativo.

 

No espectro de deputadas eleitas que tem compromisso com os direitos das mulheres, o quantitativo já fica bem aquém do grupo eleito, com cerca de 28 deputadas pró-direitos humanos, engajadas nas lutas feministas, antirracistas e dos povos indígenas. Elas tem o grande desafio de resistir contra o retrocesso de direitos dentro do Câmara.

 

Acreditamos que essas deputadas se elegeram para promover a construção de debates plurais e para lutar pela manutenção dos direitos das mulheres, pelo combate efetivo à violência e toda forma de discriminação de gênero, raça e etnia.

   
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