Rosemeire Munhoz
Responsável pela Unidade de Prevenção da Coordenação Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde

Profundas as lições que ficam da primeira Conferência Mundial de Aids a ter como sede um país em desenvolvimento. Fica a certeza de que a epidemia é ainda mais cruel que parece, que seu controle deve ser prioridade política, que o acesso aos meios de prevenção exigem mentes criativas e audazes e que o tratamento da doença é mesmo eficaz, para aqueles que têm acesso aos medicamentos.

A XIII Conferência Internacional de Aids se deu no epicentro mundial da epidemia. Apenas a África do Sul concentra 23% dos casos de Aids detodo o mundo. O continente africano abriga 24 milhões de pessoas com HIV.

Representantes e ativistas de diversos países puderam ver de perto a face mais perversa da doença em que negros, mulheres e crianças são as maiores vítimas.

A situação das mulheres é sem dúvida tema de grande interesse na África, pois se traduz numa das questões mais relevantes relacionadas à Aids na região, primeiro pela transmissão do HIV entre as próprias mulheres, segundo pela transmissão do vírus da mãe para o filho. Tema de interesse também para o Brasil por lembrar que violência e desinformação caminham juntas com a epidemia.

O abuso sexual, a coerção e a violência se apresentam como pano de fundo da transmissão da Aids entre a população feminina africana. Estudo realizado na Cidade do Cabo, África do Sul, mostra que 40% dos homens já abusaram sexualmente de suas companheiras e o estupro de mulheres jovens se apresenta como uma prática cultural exercida pelos homens, em grande parte dos países africanos. Na cidade de Francis, em Botsuana, a prevalência do HIV entre mulheres grávidas é de 40%. As mulheres têm 50% mais de probabilidade de se infectar com o HIV do que os homens.

Discussões de gênero e sobre o papel social da mulher não fazem parte da agenda feminina. O teste anti-HIV não é oferecido às mulheres gestantes e a terapia antiretroviral não está disponível. Ao mesmo tempo, os níveis extremos de pobreza forçam a mulher HIV positiva a oferecer o leite materno como única alternativa de alimentação ao seu bebê.

A prevenção revela-se como a melhor opção para o controle da doença, principalmente para os países em desenvolvimento. E dar prioridade à prevenção pressupõe vontade política. O preservativo feminino, por exemplo, considerado na Conferência como um importante insumo de prevenção, está longe de chegar à África. Causou espanto até para a delegação brasileira o fato de o Brasil ser apontado pelos fabricantes como o maior programa de acesso ao preservativo feminino em todo o mundo.

A intenção do governo brasileiro é torná-lo mais acessível ao maior número possível de mulheres e para isso, é necessário antes torná-lo mais barato.

Sem dúvida, a lição que fica é que da mesma forma que a assistência a doentes com Aids, a prevenção funciona sim. Desde que as pessoas tenham acesso à informação e garantia de seus direitos.

   
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