Quase lá: Time de mulheres sai em defesa da ex-ministra Ana Moser

Para conter danos à imagem do governo após a troca da ministra do Esporte por um deputado do Centrão, Lula se cerca das remanescentes, mas não evita crítica de Janja

Janja assiste ao desfile da Independência ao lado de Lula: "triste" com a demissão de Ana Moser - (crédito: Carlos Vieira)

 

Henrique Lessa
postado em 08/09/2023 - Correio Braziliense

A acomodação do Progressistas — partido do presidente da Câmara, Arthur Lira (AL) — no Ministério do Esporte, pasta que estava sob o comando de Ana Moser, tem custado caro para a imagem do petista junto a sua base histórica. Ana Moser, que foi vista embarcando em um voo para São Paulo, recebeu inúmeras mensagens de apoio. Até a primeira-dama, Janja da Silva, demonstrou descontentamento com a decisão do marido de demitir a ex-jogadora da Seleção Brasileira de vôlei.

Em uma rede social, Janja respondeu a um comentário de um apoiador que disse não estar feliz com a saída de Ana Moser. Janja respondeu, nos comentários da postagem: "Eu também não tô feliz". Na sequência da conversa, reforçou: "É triste mesmo". A postagem foi feita logo após o encerramento do desfile cívico-militar na Esplanada dos Ministérios.

Ao longo dos dois meses de negociação para a reforma ministerial, assessores do Planalto apontaram que Janja defendeu a manutenção das mulheres no primeiro escalão do governo. Além de Moser, outra que entrou na bolsa de apostas para sair foi Luciana Santos, titular da pasta da Ciência e Tecnologia, que chegou a ser cogitada para entrar na negociação com o PP e o Republicanos.

Ana Moser disse, ontem, em entrevista à CNN, que sua demissão "foi uma decisão política, uma pena para o esporte". E acrescentou: "O governo abandonou o esporte!" Em uma rede social, ela fez um balanço dos seus oito meses de gestão. "Tivemos pouco tempo para mudar a realidade do esporte no Brasil, mas sei que entregamos muito, construímos muito e levamos a política do presidente Lula aos que tivemos contato de Norte a Sul deste país. Como mulher, lutei para conquistar espaços e, no ministério, trabalhei para transformar a realidade do esporte brasileiro. E continuarei lutando", postou Ana Moser.

A ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, também manifestou apoio à ex-colega de governo. "Com trajetória admirável, Ana Moser recuperou o papel social transformador do esporte em oito meses de governo. Atuou incansavelmente pela valorização do futebol feminino e pela igualdade entre atletas mulheres e homens. Tenho certeza de que nos encontraremos em breve em futuras parcerias", escreveu Gonçalves em suas redes sociais.

A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, também usou as plataformas digitais para se solidarizar com a ministra demitida. "Com seriedade e competência, Ana Moser encara o esporte enquanto atividade capaz de transformar a sociedade. Para mim, é uma honra termos trabalhado juntas e compartilharmos de um projeto de país", escreveu Dweck.

No palanque oficial do desfile, o presidente Lula e a primeira-dama ficaram rodeados, na maior parte do tempo, por todas as nove ministras remanescentes no governo. A imagem foi traduzida como estratégia de contenção de danos pela saída de uma das poucas mulheres que ocupam cargos de primeiro escalão.

No esforço de reduzir as críticas, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse que Ana Moser fez um importante trabalho à frente da pasta, e minimizou o impacto da troca da ex-atleta por um deputado do Centrão. "Mudam os jogadores, mas não muda a estratégia do time", disse o ministro.

"Quero registrar o carinho e a admiração do trabalho que vinha sendo feito pela ministra Ana Moser, o presidente Lula tem uma grande consideração (por ela). Nesse período, ela plantou as sementes e já começou a colher os frutos dos compromissos do governo, que não mudam", declarou Padilha, complementando que a ex-ministra deixa um legado para o governo.

Para justificar a troca de comando no Esporte, Padilha disse que a reforma ministerial foi o encerramento de uma etapa importante, que trouxe para a base governista todos os partidos que se posicionaram como defensores da democracia e contrários aos ataques de 8 de janeiro. "Ontem, o presidente deu o desfecho a uma etapa de incorporar na equipe ministerial líderes de duas importantes bancadas que já vinham ajudando o governo", disse Padilha.

Márcio França

Alexandre Padilha também agradeceu ao ministro de Portos e Aeroportos, Márcio França, que deixará o cargo contra a vontade, para assumir o novo Ministério da Micro e Pequena Empresa, que será criado.

França foi um dos primeiros a chegar ao palanque das autoridades na Esplanada dos Ministérios. Ele publicou, ontem, em uma rede social, uma foto de Lula cumprimentando o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, mesmo partido do deputado Sílvio Costa Filho (PE), que irá assumir o comando do Ministério dos Portos e Aeroportos. E escreveu, em tom irônico: "Saúdo Lula por trazer para o governo o Tarcísio de Freitas e seu partido para nos apoiar". França e o governador de São Paulo são adversários políticos no estado.

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