Candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul coloca no centro do debate político de sua candidatura temas como o combate à violência política de gênero e a urgência do regramento das plataformas digitais

De olho na disputa por uma vaga no Senado Federal, nas eleições de 2026, Manuela D’Ávila (Psol) coloca no centro do debate político de sua candidatura temas como o combate à violência política de gênero e a urgência do regramento das plataformas digitais.
Em um retorno estratégico à linha de frente da política institucional, Manuela teve sua candidatura ao Senado pelo Rio Grande do Sul oficializada em 25 de julho. Eleita a vereadora mais jovem de Porto Alegre e a deputada federal mais votada da história de seu estado, Manuela encara agora sua nona disputa nas urnas, que marca seu retorno à política, após afastamento motivado por intensas perseguições.
A candidata ressalta que sua identidade política foi profundamente transformada pela maternidade e pelo enfrentamento direto ao ódio nas redes, com evidente recorte de misoginia, reafirmando que sua atuação não se restringe ao parlamento, mas se conecta diretamente com as lutas da sociedade civil.
Ao BdF Entrevista, do Brasil de Fato, Manuela D’Ávila foi enfática ao analisar o papel da misoginia na articulação política contemporânea: “a violência contra mulheres é o eixo da extrema direita”. Para a candidata, a agressividade direcionada a figuras femininas públicas serve como um “instrumento de controle da participação política de todas as mulheres”, e não apenas daquelas que são o alvo imediato das ofensas.
Além disso, ela também critica declarações que ouviu na época em que se afastou da política, como se fosse um ato de escolha. “Que escolha pessoal é dada a uma mulher que tem a sua família ameaçada diante do silêncio do Estado? É triste, mas é verdade, essa é parte da minha história. Eu sou a pessoa que ajudou a construir o nome para uma violência que as mulheres enfrentam no ambiente público”, relata.
Durante os anos em que esteve sem mandato, ela presidiu o Instituto E Se Fosse Você?, onde implementou o Plantão Colmeia, um serviço de acolhimento psicológico e jurídico para mulheres que ocupam o espaço público, como jornalistas e educadoras. “Nós queríamos nominar um comportamento que é utilizado como forma de controle a todas as mulheres”, explicou ela, destacando que essa violência visa afastar as mulheres do debate nacional.
A ex-deputada avalia que houve uma evolução institucional e do movimento feminista no combate aos ataques direcionados às mulheres dentro da política. Para ela, dar nome às agressões cotidianas foi um passo fundamental para defender a atuação e a permanência das mulheres nos espaços de poder. Mas ela avalia que ainda há uma certa incompreensão conceitual de como a extrema direita se constrói a partir dessa violência. “Nós ainda não temos a totalidade dessa dimensão”, opina.
Ao avaliar sua história na vida pública, no entanto, Manuela celebra êxitos. “Essa é a nona eleição que vou disputar, uma trajetória marcada por vitórias muito bonitas. Na minha reeleição como deputada federal, eu bati o recorde de votos no Rio Grande do Sul. Foram 489 mil votos, são 10% do total de votos no estado. Fiz isso antes dos 30 anos, tenho muito orgulho disso”, destaca.
Caso eleita, Manuela pretende levar ao Senado o debate sobre a regulação do ambiente digital. Ela aponta que a discussão sobre o tema foi distorcida para atender aos interesses econômicos das grandes corporações de tecnologia (big techs).
“A agenda da regulação das redes foi deslocando os debates sobre liberdade para proteger algumas empresas. Setores expressivos do povo brasileiro entendem que devemos ter regramento para esse setor”, explica.
O impacto dos algoritmos, o vício em telas e a disseminação de discursos de ódio e misoginia exigem, segundo a candidata, um olhar atento da política institucional. “Nós temos hoje uma geração de adolescentes, sobretudo meninos, viciados em telas. Esse é um assunto que ainda não surge na política brasileira. Jovens que consomem conteúdos misóginos, que vão desenvolvendo uma relação de compulsividade e adição similar ao uso abusivo de substâncias”, aponta.
“É cada vez mais crescente o compartilhamento de imagens íntimas, reais ou adulteradas. Quantos senadores e senadoras nós temos que entendem desse tema? Quantos senadores querem construir uma agenda de regulação que não seja uma agenda de restrição de liberdade dos cidadãos e das cidadãs?”, pergunta Manuela.
Para fechar o diagnóstico, a candidata ao Senado reforça que enquadrar as multinacionais de tecnologia nas leis brasileiras não é uma questão de censura, um discurso que setores da política ligados às empresas de tecnologia costumam reproduzir.
“Nós queremos que essas empresas cumpram as regras que o nosso país estabelece como suas. Agora, esse debate é um debate muito além disso, é um debate relacionado à soberania nacional”, encerrou.
Para ouvir e assistir
O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.









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