Na segunda-feira (2/2) terá início a nova etapa do Laboratório Organizacional Feminista para a Sustentação da Vida do DF 2026, uma iniciativa em parceria do Cfemea e do Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores sem Terra (MST - Setor de Gênero do DF/GO/MG).

Cfemea - 29/1/2026

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As etapas anteriores ocorreram no segundo semestre de 2025, quando o Cfemea e o MST construíram a parceria, estabeleceram os marcos e acordos para a construção de uma coordenação conjunta, definiram as prioridades para as inscrições, os objetivos e também foram ajustando o projeto, em função da logística, dos recursos financeiros disponíveis e respeitando as características das participantes.

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Jornada de autocuidado e cuidado coletivo realizada nos dias 6, 7 e 8 de outubro de 2025 no Centro Gabriela Monteiro

 

Em outubro, foi realizada a primeira Jornada de Cuidado e Autocuidado Coletivo em um processo de três dias que reuniu as mulheres dos acampamentos e assentamentos que haviam demonstrado interesse em participar do Laboratório Feminista. Foram dias intensos, com a ocupação do espaço do Centro de Formação em Agroecologia Gabriela Monteiro, na região de Brazlândia (DF). Esse processo foi essencial para reforçar os laços e dar uma boa ajustada nas expectativas, preparando a caminhada para a etapa presencial prevista para o mês de fevereiro de 2026.

Depois, a coordenação passou a realizar reuniões em todos os acampamentos escolhidos para fazerem parte do Laboratório. Em geral foram realizadas pelo menos duas reuniões por acampamento. A primeira, iniciada com um processo de autocuidado e cuidado coletivo, teve como objetivo deixar mais nítidos os princípios do Laboratório Feminista, o tempo de duração e os compromissos das mulheres que desejassem se inscrever. A segunda reunião foi realizada para conversar sobre a importância, hoje em dia, de se dominar os instrumentos digitais e vencer as barreiras da desigualdade social que recria no terreno da informática o analfabetismo que ainda restringe muito a caminhada das classes oprimidas e exploradas.

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Mobilização de mulheres camponesas e sem terra no Acampamento Keno em Goiás - novembro de 2025

 

Em meio a essas atividades, a coordenação do Laboratório Feminista obteve o apoio da deputada federal Erika Kokay (PT-DF), que destinou uma emenda parlamentar no valor de R$ 120.000,00 para garantir parte importante da alimentação das participantes do Laboratório no mês de fevereiro e a contratação de duas consultorias pedagógicas. Essa Emenda foi destinada ao Ministério das Mulheres, que firmou um Termo de Fomento em dezembro. A estimativa de gastos desse Laboratório é de aproximadamente R$ 600.000,00, estando o Cfemea arcando com o restante.

Durante os meses de outubro de 2025 a janeiro de 2026, a equipe do Cfemea esteve trabalhando na elaboração dos conteúdos e na metodologia, servindo-se da experiência do Laboratório de Salvador (foto a seguir) realizado durante todo o ano de 2025, de várias discussões e estudos e trocas com as companheiras do MST.

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Participantes do Laboratório Organizacional Feminista para a Sustentação da Vida - Região Metropolitana de Salvador - 2025

 

Agora, no mês de fevereiro será realizada a etapa presencial, concentrada, do Laboratório Feminista, quando as participantes estarão reunidas e trabalhando de segunda a sábado, no Centro de Formação Gabriela Monteiro, do MST, organizadas em Comissões, decidindo, aprendendo e ensinando, realizando trocas de saberes, afetos e experiências, resolvendo as tensões e dificuldades, na forma de uma Cooperativa. Serão realizadas Trilhas Formativas, serão experimentadas formas coletivas de trabalho e formuladas e acordadas as atividades que serão desenvolvidas na Etapa Híbrida (março e abril) e o momento Pós-Laboratório, de abril a outubro de 2026.

Essa jornada ainda vai longe, todas estão animadas, cheias de vontade de enfrentar, juntas, os desafios.

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Antes, foram realizadas uma série de atividades nos territórios (acampamentos e assentamentos) da região, e uma Jornada de Autocuidado e Cuidado Coletivo em outubro de 2025

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Chegamos ao terceiro dia da jornada de autocuidado e cuidado coletivo entre ativistas com as mulheres do MST do DF e Entorno, hoje usamos a Técnica de Redução de Estresse entre Mulheres.

Que trem bão! As mulheres de acampamentos e assentamos do DF e Entorno retomaram bem cedinho a jornada. Convivência e vivência coletiva, confiança, criação de laços. Tudo começou com o café da manhã, para as que estão hospedadas no Centro de Educação Popular Gabriela Monteiro e para as que vieram em caronas solidárias e apoiadas financeiramente pelo Cfemea.

Para o Cfemea e para o MST, o autocuidado e o cuidado coletivo entre ativistas é parte da estratégia para fortalecer, proteger, promover as mulheres que estão na lida para transformar o mundo.

Ousamos criar novas formas de nos organizar e novas estratégias para lutar, que dialogam e almejam intensificar esse momento tão fecundo do ativismo das mulheres, evidenciado no surgimento de muitos novos coletivos, nas várias iniciativas artivistas (art+ativismo), em tanta movimentação e protesto pelas ruas e na internet, nas centenas de comunidades virtuais, nos diversos blogs feministas e de mulheres negras, além dos grandes movimentos nacionais de mulheres.

A sustentabilidade do ativismo, para transformar o mundo

Só fortalecendo e ampliando a organização das mulheres vamos ter mais poder de apontar as violações de direitos, denunciar a violência, demandar justiça, criar alternativas, propor mudanças. Ao abrirem espaço na conflitiva e estreita arena política brasileira, os movimentos de mulheres e feminista orientam os processos de mudança pela a justiça socioambiental, a igualdade e o diálogo intercultural. Temos certeza que, democraticamente, é assim que se abrem as possibilidades de um futuro onde tod@s possam viver bem, desenvolver plenamente as suas capacidades, ser livres e ter direitos.

Aprofundar a democracia e garantir direitos é um grande desafio para as mulheres nos movimentos sociais e ativistas.

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Nossas lutas

Foi pela profundidade da nossa crítica feminista e com a força da nossa atuação política que nos instituímos como sujeito político na arena pública e conquistamos a cidadania. Questionamos profundamente a forma como o poder é exercido para dominar as mulheres, desde as relações mais íntimas, no espaço doméstico e familiar, no trabalho produtivo e reprodutivo, nas relações inter-raciais e interétnicas, nos movimentos sociais e no sistema político. Na luta política e democrática, conquistamos espaços que não existiam. Mudamos o mundo! Lutamos pelo fim da ditadura militar e, nas últimas décadas, enfrentamos muitas batalhas pela ampliação dos direitos das mulheres.

Hoje, vivemos uma ofensiva conservadora que ameaça os avanços até agora alcançados, exigindo das ativistas mais cuidado entre si, força para resistir, firmeza e criatividade para mudar esse quadro.

  • criminalização dos movimentos sociais
  • crescimento da onda religiosa, dogmática e fundamentalista
  • crescimento de todo tipo de violência, do racismo, homo/lesbo/transfobia
  • modelo desenvolvimentista injusto e predatório

Autocuidado e cuidado entre ativistas: para avançar na construção de outro mundo possível, com a participação das mulheres.

Citações

“Autocuidado é um ato político, é algo revolucionário pra gente

e perigoso pra quem quer nos oprimir.”

Lidi de Oliveira, PaguFunk

“Nas cidades, no campo e nas florestas brasileiras as ativistas

levantam a bandeira: Nosso corpo, nosso território: não se invade,

não se maltrata e não se viola.”

(autora desconhecida)

“Nos aproximamos pela humilhação,

e formamos laço pela sobrevida e

pela potência de nossas vidas e lutas.”

Tatiana Lionço (ativista do DF - Cia Revolucionária Triângulo Rosa)

Primeiro Território 

Para as mulheres ativistas e que se mexem para transformar o mundo é importante reconhecer que seu primeiro território é o próprio corpo, a dimensão do primeiro afeto. Muitas não percebem que deixam de lado seu corpo, sua saúde e sua vida, para cuidar das outras vidas que a cercam. Anulam-se em função de outros(as). Essa é a origem de suas dores, de seus traumas, de seu adoecimento. Reconhecer-se como seu primeiro território e importante para conhecer e delimitar os demais territórios de cuidado e de luta.

Esse reconhecimento é importante para o Laboratório Organizacional Feminista, pois cuidando desse território original a gente pode dar os passos para o coletivo que nos inclua como sujeitas e capazes de gerar mudanças, promover revoluções.

Laboratório do DF

Depois dessa jornada, a coordenação, formada pelo Cfemea e pela direção do MST do DF e nordeste de Goiás e Minas, vai organizar Rodas de Autocuidado em todos os Acampamentos e Assentamentos de onde estarão se inscrevendo mulheres para a longa caminhada do Laboratório Feminista do DF, que se iniciará em 2 de fevereiro do próximo ano.

Nessas Rodas, vamos nos conhecer, vamos aprofundar nossos laços e também vamos conversar sobre as dificuldades que temos e termos que enfrentar para a construção autônoma de alternativas econômicas. Uma das questões que trataremos é a dificuldade de ler e escrever. Outra é a necessidade de uma alfabetização digital. Sabendo das dificuldades de cada uma e de cada coletivo, vamos estabelecer estratégias para superar os problemas. Não queremos soltar a mão das companheiras que têm alguma dificuldade. Mas se não tivermos a solução entre nós, vamos procurar meios para apoiar cada uma que queira se alfabetizar, que queira dominar o mundo digital, que queira superar seus limites.

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