Lula reuniu ministros no Planalto para exigir ações efetivas para enfrentar violência de gênero e o feminicídio
- Brasília (DF) - BRASIL DE FATO
- Lorenzo Santiago

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou nesta terça-feira (16) uma participação maior de ministros, prefeitos, governadores e congressistas no combate à violência contra a mulher. Segundo o mandatário, é preciso de mais ação e medidas frente ao aumentos nos dados de feminicídio e agressões nos últimos anos no país. Ele convocou ministros do governo e do Supremo Tribunal Federal (STF) para discutir o tema no Planalto e reforçou a necessidade de medidas contundentes para esse enfrentamento.
“Essa reunião é para ver se a gente consegue construir uma proposta que envolva a sociedade brasileira, homens e mulheres. Mas que envolva, sobretudo, o poder público, que pode mais. O prefeito pode mais. O governador pode mais. O Congresso pode mais, fazer com que a gente possa viver mais tranquilos”, disse Lula na reunião.
O governo Lula 3 foi responsável por recriar o Ministério da Mulher, que havia sido extinto no governo de Jair Bolsonaro (PL). Durante o governo petista, foi aprovada a lei 14.611 de 2023 que obriga a igualdade salarial entre homens e mulheres que ocupam os mesmos cargos e a lei 14.717 que institui pensão especial aos filhos órfãos em razão do crime de feminicídio.
De acordo com Lula, ainda é preciso de mais ações para um problema que não é resolvido, especialmente com educação e responsabilização dos homens nesse debate.
“A mulher quer fazer uma coleção de conquistas na sociedade e eu acho que é isso que incomoda os homens. Aquela época em que o marido chegava em casa à meia-noite, e a coitada da mulher estava dormindo com três crianças na cama, e tinha que levantar para esquentar a comida dele, como se fosse obrigação, acabou”, disse.
A divulgação de casos recentes de violência contra a mulher mobilizaram o governo. Em novembro, uma mulher foi arrastada por um carro em São Paulo e um homem foi preso por simular um acidente de trânsito depois de matar a esposa em Minas Gerais. Esses casos se tornaram nacionais.
De acordo com o Mapa Nacional da Violência de Gênero, no primeiro semestre de 2025 foram registrados 718 feminicídios no país. O levantamento do Observatório da Mulher Contra a Violência, do Senado, também indica que foram 33.999 estupros contra mulheres de janeiro a junho, uma média de 187 por dia.
Entre janeiro e outubro deste ano, o estado de São Paulo teve um aumento de 10,01% nos casos de feminicídios em comparação com o mesmo período do ano anterior. No total, foram 207 casos contra 188 em 2024, segundo um levantamento do Instituto Sou da Paz.







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