- Recife (PE) - Brasil de Fato
- Afonso Bezerra

A sugestão do ex-deputado Eduardo Bolsonaro de substituir o Pix pelo Zelle, sistema de pagamentos instantâneos controlado por um consórcio de bancos dos Estados Unidos, representa uma ameaça à soberania financeira e digital do Brasil. A avaliação é da cientista política Isabela Rocha, presidente do Fórum para Tecnologia Estratégica dos Brics+. Segundo a pesquisadora, a proposta explicita como a relação da família Bolsonaro com a Casa Branca pode colocar o Brasil como mais um instrumento dos interesses estadunidenses.
“A agenda do Eduardo Bolsonaro, assim como a agenda do Flávio e como foi a agenda do próprio Jair, sempre foi uma agenda muito pró-Estados Unidos. Agora, negociar para que deixe de existir um Pix — porque foi isso que o Eduardo Bolsonaro deixou implícito ao sugerir substituir o Pix pelo Zelle — significa colocar informações estratégicas sobre toda a nossa população na mão de infraestruturas estrangeiras e, pior, na mão de bancos estrangeiros”, analisa a pesquisadora.
A declaração de Eduardo Bolsonaro foi feita na quarta-feira (3), durante entrevista à rádio TMC. Na ocasião, Eduardo Bolsonaro defendeu a adoção do Zelle, plataforma criada e operada por instituições financeiras estadunidenses como JPMorgan, Bank of America e Wells Fargo.
Segundo Rocha, a proposta vai além de uma simples troca de sistemas de pagamento e revela um alinhamento político que pode ampliar a dependência brasileira de infraestruturas estrangeiras. Para a pesquisadora, a ofensiva contra o Pix se insere em um contexto mais amplo de pressão dos Estados Unidos sobre tecnologias estratégicas desenvolvidas fora de sua esfera de influência.
“Imagina: a gente mal consegue responsabilizar governos estrangeiros, apesar de existirem diversos mecanismos internacionais para responsabilizar governos quando praticam ações abusivas e injustas no mercado internacional. Banco, não. Não existem mecanismos para regular isso de maneira efetiva. Então, no final das contas, isso é um perigo enorme. Substituir o Pix por uma solução privada e estrangeira significa abrir mão da nossa soberania”, diz.
A sugestão de Eduardo Bolsonaro foi feita dias após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar novas tarifas sobre os produtos brasileiros. Entre as justificativas elencadas para a possível imposição do novo tarifaço, o governo citou o Pix.
O relatório do governo Trump afirmou que o Banco Central privilegiava o Pix, o que prejudicaria empresas do sistema financeiro dos Estados Unidos que operam bandeiras de cartão de crédito no Brasil.
De acordo com Isabela Rocha, há diferenças substanciais entre os dois sistemas, e a plataforma brasileira oferece um serviço mais universal para o usuário.
“O Zelle é uma iniciativa privada. Diferente do Pix, que é uma iniciativa pública. Todos os bancos do Brasil são obrigados a aderir ao Pix. Então, isso, em si, é muito importante. O Zelle, por ser privado, não obriga todos os bancos a aderirem. E acaba que, no final das contas, não é uma solução universal para liquidação de pagamentos”, descreve.
A pesquisadora também citou os riscos à soberania digital. A sugestão de importar um sistema de pagamentos privado dos Estados Unidos bate de frente com um fragilidade institucional e uma carência estrutural do Brasil.
De acordo com estudo feito pelo Fórum para Tecnologia Estratégica dos Brics, o Brasil, apesar de ser uma economia relevante no cenário internacional, registra índices baixos de soberania digital.
Segundo o estudo, o Brasil ocupa a 48ª posição no Índice de Soberania Digital. Além disso, o país tem nota 1 numa escala de 1 a 4 na avaliação sobre capacidade de regulação própria diante das grandes big techs. Um contraste, por exemplo, com países europeus, que adotam um rigoroso sistema de regulação para Meta, Google e outras gigantes do setor.
Diante desse quadro, a proposta do ex-deputado fragiliza ainda mais o país, na avaliação da pesquisadora.
“É um risco gigantesco de nós perdermos o que resta da nossa soberania. Principalmente, da nossa soberania financeira, da nossa capacidade de distribuir os recursos que coletamos e da nossa proteção de dados”, finaliza.

Por Cleber Lourenço
“Ser senador e pré-candidato à Presidência da República parece ser apenas um escudo, quando se trata do filho de Jair Bolsonaro. Como se não bastasse trabalhar em conluio com Vorcaro, que tentou quebrar o Brasil pra financiar suas regalias e festas milionárias, Flávio Bolsonaro agora busca na aproximação com Trump acabar com a economia do Brasil, com o PIX e com nossa tecnologia.”
A declaração foi dada ao ICL Notícias pela deputada federal Erika Hilton após protocolar, nesta terça-feira (2), uma representação na Procuradoria-Geral da República pedindo a abertura de inquérito contra o senador Flávio Bolsonaro.
Na ação, Erika sustenta que o parlamentar teria atuado junto ao governo dos Estados Unidos para favorecer medidas econômicas contra o Brasil após reuniões realizadas na Casa Branca com integrantes da gestão Donald Trump.
O documento cita como ponto central a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, que propôs tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e incluiu o Pix entre os supostos alvos de práticas comerciais consideradas “desfavoráveis” a empresas americanas do setor financeiro.
Segundo a representação, a cronologia dos fatos levanta suspeitas sobre a articulação política envolvendo a família Bolsonaro e o governo Trump. O texto destaca que Flávio Bolsonaro esteve na Casa Branca entre os dias 27 e 28 de maio e que, apenas quatro dias depois, os Estados Unidos concluíram a investigação propondo o tarifaço contra o Brasil.
A peça também menciona a participação de Flávio na CPAC realizada no Texas, onde, segundo Erika Hilton, o senador defendeu pressão internacional sobre instituições brasileiras antes das eleições presidenciais de 2026.
Para a deputada, o episódio vai além da disputa eleitoral e representa um ataque direto à soberania econômica do país.
“É necessária uma investigação séria, célere e urgente. Estão cometendo crimes em série e esse episódio mostra que também estão cometendo crimes contra a economia popular. O clã Bolsonaro está usando a pré-candidatura para lotear o Brasil e vender a preço de banana, beneficiando a eles próprios e trazendo só prejuízos pro povo brasileiro”, afirmou ao ICL Notícias.
Na representação, Erika Hilton argumenta que a conduta atribuída a Flávio Bolsonaro pode se enquadrar no artigo 3º, inciso VI, da Lei de Crimes contra a Economia Popular, que trata de práticas que provoquem elevação de preços ou dificultem o acesso da população a produtos e serviços.
O documento também dedica um trecho específico ao Pix, tratado como infraestrutura estratégica nacional. A parlamentar destaca que o sistema desenvolvido pelo Banco Central é utilizado por mais de 150 milhões de brasileiros e afirma que qualquer tentativa de enfraquecê-lo favoreceria interesses privados estrangeiros ligados ao sistema financeiro internacional.
No pedido encaminhado à PGR, Erika Hilton solicita a abertura de inquérito e a adoção de medidas para apurar as tratativas realizadas durante a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, incluindo eventual requisição de informações ao Itamaraty, Banco Central e Palácio do Planalto.
fonte: https://iclnoticias.com.br/erika-hilton-flavio-bolsonaro-pix-economia/







