Essa pergunta diz menos sobre quem passou pelo sistema prisional e mais sobre quem nós escolhemos ser como sociedade.

Hoje, o Brasil tem uma das maiores populações carcerárias femininas do mundo. Cerca de 65% das mulheres privadas de liberdade respondem por crimes relacionados à Lei de Drogas, e a maioria delas é negra, tem baixa escolaridade e vivia em situação de vulnerabilidade antes da prisão. Mais de 70% são mães.
penitenciaria feminina USP
Quando deixam o sistema prisional, a pena termina, mas o estigma não.

Sem trabalho, sem renda e sem oportunidades, o recomeço deixa de ser uma possibilidade concreta. E é justamente nesse vazio que a reincidência encontra espaço. É por isso que acreditamos que reinserção social também é uma política de segurança pública.

No trabalho do Comitê Raízes do Artesanato, vemos o que acontece quando uma mulher encontra uma oportunidade real. O artesanato deixa de ser apenas uma técnica. A cultura deixa de ser apenas tradição. O trabalho deixa de ser apenas renda.

Eles passam a representar autonomia, pertencimento e dignidade.

Cada peça produzida carrega uma história de reconstrução e uma porta que voltou a se abrir. Cada mulher que conquista sua independência rompe um ciclo que dificilmente será repetido pelos seus filhos.

Nós podemos escolher qual sociedade queremos construir. Uma que acredita que uma pessoa deve ser definida para sempre pelo pior momento da sua vida. Ou uma que entende que segurança também se constrói quando o recomeço deixa de ser exceção e passa a ser oportunidade.

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