Quase lá: Editorial

As campanhas eleitorais que todas acompanhamos, seja pelos meios de comunicação, ou pela própria militância, foram marcadas pelos debates sobre corrupção. Os escândalos noticiados pela mídia mostraram mais uma vez a debilidade do sistema político brasileiro e da urgência de transparência e controle social nos serviços prestados pelas pessoas que hoje governam o País enquanto noss@s representantes.

A democracia representativa foi discutida por vários movimentos e o próprio sistema político é hoje tema de debate para a construção de uma plataforma dos movimentos para a reforma política no Brasil. Questionamos que representatividade é essa que não representa sequer quantitativamente mulheres, negr@s, jovens e homossexuais. Por outro lado, mas no mesmo sentido, que representatividade é essa que permite que alguns/mas pouc@s se apropriem de recursos financeiros oriundos da força de trabalho de toda a população?

A partir desses questionamentos fica mais fácil compreender como uma reforma ampla e democrática do sistema político se torna hoje uma das chaves para alterar a forma como é exercido o poder, bem como quem o exerce, para o combate à corrupção e para a construção da igualdade de direitos em nosso País.

Os escândalos que acompanhamos nos mostram as disputas de poder e principalmente o mau uso dos recursos públicos. Essa constatação nos mostra mais uma vez a urgência de compreendermos cada vez mais os processos de elaboração dos orçamentos públicos nos diversos âmbitos: municipal, estadual e federal. Saber para onde os recursos públicos estão indo e decidir sobre isso é um direito de tod@s e precisamos ter acesso a esse direito, por isso é fundamental lutar pela transparência, e por mecanismos de controle social, garantindo a participação da população nas decisões do País.

Este ano as mulheres brasileiras conquistaram a Lei 11.340 (a Lei Maria da Penha) uma forte aliada no enfrentamento à violência doméstica contra as mulheres. Graças à mobilização das mulheres e à sensibilização d@s parlamentares e representantes do Executivo foi possível ter esse avanço. Esse foi um primeiro passo. Agora é preciso implementar o que diz a lei e para isso é fundamental a destinação de recursos no orçamento. Para, por exemplo, garantirmos a criação de varas especializadas de atendimento à violência contra as mulheres. Este ano o CFEMEA acompanhou o ciclo orçamentário também com essa perspectiva.

Nesse sentido, o CFEMEA acredita que a incidência dos movimentos de mulheres e feministas é fundamental. Compreender, analisar e incidir sobre os orçamentos públicos é uma chave para conseguirmos que saia do papel a Lei Maria da Penha.

O CFEMEA se despede e parabeniza a atuação da Bancada Feminina da última legislatura e dá as boas vindas às novas parlamentares, esperamos juntas continuarmos e ampliarmos nossas lutas pelos direitos das mulheres.

Parabéns mulheres e muita força para todas nós em nossas próximas caminhadas!


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