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Cresce o número de evangélicos e católicos contra a prisão por aborto

Dados inéditos obtidos pela piauí mostram, agora, como essa mudança se deu em segmentos específicos da população. Entre os evangélicos, 50% eram contra a prisão por aborto em 2018; hoje são 56%. Os dados foram sistematizados pela equipe do Centro de Estudos de Opinião Pública da Unicamp, com apoio da SPW (Sexuality Policy Watch Brasil) e do Cfemea (Centro Feminista de Estudos e Assessoria).

 

Amanda Gorziza e Renata Buono | 02out2023_13h44  - Revista Piauí

 

Aumentou, nos últimos cinco anos, o número de brasileiros contrários à prisão de mulheres por aborto: eram 52% em 2018, são 59% em 2023. O crescimento foi constante, ano a ano, desde 2019. Dados inéditos obtidos pela piauí mostram, agora, como essa mudança se deu em segmentos específicos da população. Entre os evangélicos, 50% eram contra a prisão por aborto em 2018; hoje são 56%. Os brasileiros mais jovens são os que mais se opõem à medida (67%). Os dados fazem parte da série “A Cara da Democracia”, realizada pelo Instituto da Democracia com base em entrevistas presenciais realizadas nos últimos cinco anos com amostras de cerca de 2 mil pessoas de todas as regiões do país. Em média, a margem de erro de cada pesquisa é de 2 pontos percentuais. Os dados foram sistematizados pela equipe do Centro de Estudos de Opinião Pública da Unicamp, com apoio da SPW (Sexuality Policy Watch Brasil) e do Cfemea (Centro Feminista de Estudos e Assessoria). O =igualdades mostra, com exclusividade, os resultados do levantamento.

Em 2018, 52% dos brasileiros eram contra a prisão de mulheres pela prática de aborto. Em agosto de 2023, eram 59%.

Nos últimos dois anos, em todos os grupos religiosos analisados na pesquisa, a porcentagem de pessoas que se dizem contra a prisão de mulheres por abortar foi maior que 50%.

 

Os brasileiros com idades entre 18 e 24 anos são, dentre todas as faixas etárias, os que mais se opõem à prisão de mulheres por aborto: 67% se dizem contra a medida. A média nacional é 59%.

O grupo de pessoas com 65 anos ou mais foi o que registrou maior mudança de opinião. Em 2018, 46% dos brasileiros dessa idade se diziam contra a prisão de mulheres por aborto. Em 2023, foram 63%.

Em 2023, mais de 60% dos entrevistados com ensino superior completo ou incompleto disseram ser contrários à prisão de mulheres que interromperam a gravidez. Já entre os que não concluíram a escola, a proporção foi de 56%.

 

Uma pesquisa do Instituto Ipsos, realizada por telefone e internet, mostrou que os brasileiros estão abaixo da média mundial no apoio à legalização do aborto. Dentre 27 países analisados, o Brasil ficou na 20ª posição. Em 2021, 64% dos brasileiros defendiam que o aborto pudesse ser praticado sempre ou em casos de estupro.

Entre 2014 e 2021, a percepção favorável ao direito ao aborto no Brasil cresceu 11 pontos percentuais. Foi o terceiro maior crescimento no período, atrás apenas de Argentina (15 pontos percentuais) e Coreia do Sul (20 pontos). Na média dos 27 países analisados na pesquisa, a proporção permaneceu estável no mesmo período.

Amanda Gorziza (siga @amandalcgorziza no Twitter)

Repórter da piauí

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

É designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

fonte: https://piaui.folha.uol.com.br/maioria-brasileiros-evangelicos-catolicos-contra-prisao-aborto/

 

Detalhes
Categoria: Direitos Sexuais e Reprodutivos
Publicado: 02 Outubro 2023
Acessos: 1904
  • Direitos Sexuais e Reprodutivos
  • Aborto
  • Direitos Humanos
  • Aborto Legal
Artigo anterior: A questão é o aborto ou o medo do gozo das mulheres? A herança tóxica do catolicismo, por Marlene de Fáveri A questão é o aborto ou o medo do gozo das mulheres? A herança tóxica do catolicismo, por Marlene de Fáveri Próximo artigo: Mensagem das mulheres latino-americanas ao povo brasileiro em defesa do aborto seguro Mensagem das mulheres latino-americanas ao povo brasileiro em defesa do aborto seguro

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Feminismo

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Publicação que sistematiza as experiências das Tecelãs do Cuidado e traz algumas reflexões que têm realizado desde que começou a pandemia da COVID19.
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Este texto foi escrito com base em pesquisa coordenada pelo CFEMEA e desenvolvida pelas pesquisadoras Denise Mantovani, Maíres Barbosa, Mari Mesquita e Milena Belançon.
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Esse estudo avaliou o posicionamento dos 513 deputadas, deputades, deputados federais e dos/as 81 senadores/as (incluindo os/as eleitos/as em 2022) em relação às temáticas de gênero.
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autocuidado cosete RIA Editorial

Este livro apresenta as reflexões e análises do estudo de pós-doutorado da professora Cosette Casto realizado no Instituto de Psicologia da UnB sobre Cuidado e Autocuidado entre Mulheres Ativistas no mundo online – estimulando (novas) subjetividades em tempos de pandemia e violência. O estudo foi desenvolvido a partir da experiência e metodologia do CFEMEA em meio à pandemia e ao isolamento social e foi adaptado ao mundo virtual.

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