23 Junho, 2026 - 13h59
Marina Maria - Sindicato dos Bancários DF
O documentário “Anatomia do Caos”, dirigido por Dandara Ferreira, terá pré-estreia em Brasília no dia 30 de junho, às 19h, no Cine Brasília. A sessão contará com a presença da diretora e propõe uma reflexão sobre a pandemia de Covid-19 no Brasil, os bastidores da CPI da Covid e os impactos humanos, sociais e políticos de um dos períodos mais duros da história recente do país.
Embora o filme acompanhe os bastidores da CPI da Covid, Dandara explica que o projeto nasceu antes, movido pela necessidade de registrar o que acontecia no país diante do avanço das mortes, do negacionismo e do sofrimento de milhares de famílias.
“O filme nasceu da minha revolta diante do que estava acontecendo no Brasil. Como cineasta, a minha ferramenta de atuação é a câmera”, afirma a diretora.
Segundo Dandara, a CPI entrou no processo quando ela já acompanhava os efeitos da pandemia. Ao acessar os bastidores, percebeu que havia ali um esforço de reconstrução dos fatos e das responsabilidades em torno da tragédia sanitária.
“Era como se o país estivesse tentando reconstruir, peça por peça, a anatomia de uma tragédia que ainda estava em curso”, relata.
A cineasta afirma que só mais tarde compreendeu o alcance político do material filmado. Para ela, a CPI revelava não apenas os efeitos da pandemia, mas também os mecanismos, decisões, omissões e conflitos que contribuíram para o cenário de caos vivido pelo Brasil.
Mais de 700 mil brasileiros morreram em decorrência da Covid-19. Para Dandara, a marca mais evidente desse período é a ausência deixada nas famílias, nos afetos e na memória coletiva. O filme também aborda feridas menos visíveis, como o aprofundamento das desigualdades sociais, a insegurança econômica e a crise de confiança nas instituições e na própria ideia de verdade.
“A pandemia mostrou como discursos políticos podem influenciar comportamentos individuais com efeitos concretos sobre a vida das pessoas”, destaca.
Um dos desafios do documentário foi encontrar uma linguagem capaz de tratar a tragédia com responsabilidade, sem esvaziar sua dimensão política e histórica. Dandara afirma que o tempo de produção também esteve ligado a essa preocupação.
“O maior desafio foi encontrar uma linguagem que respeitasse a dimensão humana da tragédia sem abrir mão do rigor político e histórico”, explica.
O filme dialoga diretamente com a realidade da classe trabalhadora. Como frisado por Dandara, a pandemia não atingiu todos da mesma forma. Enquanto parte da população pôde se proteger em casa, milhões de brasileiros seguiram trabalhando em condições de extrema vulnerabilidade, entre eles profissionais da saúde, entregadores, trabalhadores do transporte e do comércio.
A cineasta reforça que as decisões discutidas na CPI tiveram efeitos concretos sobre essas vidas. “A crise sanitária também foi uma crise social e trabalhista”, afirma.
Ao retomar esse período, “Anatomia do Caos” também reivindica o papel da memória na defesa da democracia. Para a diretora, esquecer ou relativizar tragédias abre caminho para que os mesmos erros sejam repetidos.
“A democracia depende da memória. Quando uma sociedade esquece suas tragédias ou relativiza suas responsabilidades, ela corre o risco de repetir os mesmos erros”, diz.
O documentário não pretende encerrar o debate sobre a pandemia. Seu objetivo é manter vivas perguntas que seguem fundamentais para o Brasil: o que aconteceu, por que aconteceu, quem foi afetado e quem deve responder por isso.
“Preservar essa memória é uma forma de honrar as vítimas, fortalecer a democracia e reafirmar que vidas humanas nunca podem ser tratadas como estatística”, conclui Dandara.
A atividade em Brasília é promovida por Descoloniza, Movioca, Las Margaridas Filmes e LabAV. Para confirmar presença, é necessário enviar nome completo para o e-mail
Serviço:
Pré-estreia de “Anatomia do Caos” será realizada no
Cine Brasília, localizado na EQS 106/107, Asa Sul
30 de junho, às 19h. Entrada franca







