Na celebração do 8 de março de 2022 as mulheres brasileiras se manifestam contra a fome, o machismo, o racismo, denunciando as políticas de morte do atual governo brasileiro, o avanço do fascismo no Brasil e o acirramento da violência política cometida contra nós mulheres nos espaços da política e do poder.

A denúncia das estruturas neocoloniais, patriarcais e racistas tem hoje a urgência do impedimento de forças políticas que trabalham pela destruição da natureza, de nossos bens comuns, pela subalternização de nossos corpos, pelo silenciamento de nossas vozes e subjetividades.

Neste 8 de Março reafirmamos nossa luta feminista contra o aumento absurdo e vergonhoso das estatísticas que revelam os crimes de feminicídio, da gravidez precoce e do casamento infantil, do desemprego das mulheres e homens no Brasil, do aumento da fome.

Reafirmamos nossa ação política para aumentar a presença de mulheres negras eleitas e de seus mandatos comprometidos com a radicalização da democracia nos governos estaduais, no parlamento federal e estadual. Para que tenhamos no futuro a igualdade e a justiça como horizontes de um país onde o aborto legal se realize com justiça reprodutiva! Onde meninas e mulheres tenham as condições dignas do viver com igualdade entre negras e não-negras.

Reafirmamos nossa ação política por um futuro de Bem Viver com a educação libertando mentes, aniquilando o sexismo e expandindo o antirracismo.

O fato do 8M ser comemorado em todo o mundo, reafirma a luta dos movimentos de mulheres no enfrentamento ao patriarcado e ao racismo. O racismo, onde quer que ele exista, é um sistema estrutural de dominação.

Aliado ao patriarcado, o racismo nas suas mais variadas expressões mantem as desigualdades sociais, subalterniza, oprime, violenta e ainda mata cotidianamente. Mata corpos, mata ideias, mata criatividade e transforma o futuro!

Nós mulheres, avançamos na conquista dos nossos direitos.

Um dos indicadores que usamos para demonstrar esses avanços é o aumento da participação política. A participação política de mulheres nos parlamentos de todo o mundo dobrou nos últimos 25 anos, passando de 11.3% em 1995 para 24,8% em 2020 (IPU).

Em 2022, entre os países que atingiram a paridade (o marco de 50% de mulheres, por exemplo nos Parlamentos), temos em África o Ruanda, a liderar com mais de 60%. Ao contrário do Brasil entre os países lusófonos, é Moçambique que lidera com cerca de 42% de mulheres na atual legislatura, figurando como um dos 20 países mais bem colocados no mundo.

Como sabemos paridade nem sempre anda de mãos dadas com a democracia. Temos dito e repetido que mais mulheres no poder não é suficiente, é preciso modificar as estruturas de poder.

As estruturas racistas, patriarcais, colonialistas, heteronormativas perpassam todas as relações sociais e, por isso mesmo, afetam também as nossas construções políticas feministas antirracistas quando lutamos por direitos, justiça e pelo Bem Viver.

Assumir o compromisso ético e político de  lutar pelo fim do racismo no Brasil  exige de cada uma de nós  profundas desconstruções subjetivas, uma transformação na forma como vemos o mundo, como referenciamos as nossas lutas, como nos reconhecemos umas às outras (brancas, negras e indígenas) e sustentamos o desafio do diálogo intercultural, enfrentando os conflitos inerentes às construções interraciais e interétnicas, fora do padrão de dominação/subordinação.

É imprescindível respeitar não só a voz, como também o lugar de fala, expressão, reivindicação, luta e saberes das sujeitas que vivem cotidianamente a opressão na carne, por conta da pele e no corpo de mulher negra. Não é fácil. É exigente, mas é necessário e urgente!  É preciso expandir coletivamente a compreensão de que enfrentar o racismo em nossas práticas políticas nos impõe o desafio de encarar os privilégios: o privilégio de poder falar e ser ouvida, o privilégio de ter ideias e incômodos considerados, o privilégio de expressão da justa raiva sem ser questionada ou cerceada.

Compreender também que, vivendo no Brasil, a luta antirracista se constrói no reconhecimento da diáspora africana e nas feridas do nosso processo de colonização, forjado à custa da violência aos corpos das mulheres negras e indígenas.

Reconhecer também que o feminismo antirracista anticapitalista, enquanto teoria e práxis, tem nos desafiado a repensar este processo desde uma perspectiva decolonial e despatriarcalizada, e estas estruturas precisam ser erguidas dentro de nossas instituições partidárias, entidades, movimentos e coletivas de lutas!

Chamamos a atenção para o compromisso que devemos assumir em nos mantermos juntas, alinhadas, em nossa construção de lutas feministas antirracistas em Brasília, no Brasil e no mundo, neste ano de guerras e eleicoes, do acirramento do fascismo que se nos apresenta desafios extremos.

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