Sônia Maria Dozzi Bruck explica o que acontece com o cérebro das mulheres nesse período e o papel protetor do estrogênio em tal contexto

Quando a mulher começa a entrar na menopausa, aumentam os riscos cardiovasculares, principalmente por causa do aumento do colesterol Foto: Visual Hunt
A menopausa é um processo fisiológico natural, que marca o fim da fase reprodutiva feminina, caracterizado pela última menstruação e pela suspensão definitiva dos ciclos menstruais, confirmada após 12 meses consecutivos sem sangramento. Esse período também é caracterizado por diversas mudanças neurológicas nos indivíduos, nas quais o hormônio do estrogênio exerce um papel fundamental.
Sônia Maria Dozzi Brucki, professora do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e coordenadora do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento do Hospital das Clínicas, explica com o que acontece durante esse período. “O estrógeno possui importantes funções nos nossos cérebros, capacidade de evocar memórias, realizar funções executivas e, quando ele diminui nas fases da pré-menopausa e pós-menopausa, principalmente, ocorrem diversas alterações hormonais no corpo feminino.”
Sonia Maria Dozzi Brucki – Foto: FAPESP/Reprodução
“Além disso, sabemos que, quando a mulher começa a entrar na menopausa, aumentam os riscos cardiovasculares, principalmente por causa do aumento do colesterol, da glicemia e do peso no geral. Então, vários fatores vão agir concorrentemente para que ocorra uma diminuição do funcionamento cerebral feminino”, acrescenta a médica.
Dificuldades de concentração e memória
Durante essa fase, muitas mulheres relatam dificuldades de concentração e de memória, resultando em preocupações relacionadas a riscos de demência e outros problemas cerebrais. Devido a isso, muitos estudos, realizados por pesquisadoras mulheres, têm sido desenvolvidos para procurar explicar esses fenômenos. “Isso parece ser mais uma percepção de um declínio em relação ao que a pessoa era anteriormente, do que exatamente um declínio em relação às outras pessoas, o que quer dizer que não necessariamente está relacionado à demência ou Alzheimer, por exemplo”.
“Quando essas mulheres fazem testes cognitivos, isso não é observado, mas, mesmo assim, existem as queixas, então, provavelmente, é o que chamamos de declínio cognitivo subjetivo. A pessoa se percebe diferente, mas ainda não é capaz de se mensurar isso, porque ela está dentro da média da população dos testes. Isso também pode estar relacionado aos sonos interrompidos pelos fogachos, calores repentinos, gerando um déficit de sono adequado, o que também leva a alterações de atenção, de memória e das funções executivas.”
Recursos para tratamento
O principal método de tratamento conhecido nesse campo é a terapia de reposição hormonal, que repõe certa quantidade de estrogênio no organismo logo após a menopausa, até cinco anos, protegendo a mulher contra doenças cognitivas. “Entretanto, é necessário a realização de mais estudos em relação ao efeito desse hormônio, visto que os resultados são controversos. Em relação à cognição, temos muito trabalho a ser realizado para dizer se realmente a TRH e a TGP de reposição hormonal evitam ou melhoram a cognição”, finaliza Sônia.
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fonte: https://jornal.usp.br/radio-usp/neurologia-o-cerebro-das-mulheres-no-periodo-da-menopausa/






