“Mandato da masculinidade” torna homens suscetíveis a praticar violência. Gozo não é sexual; é de poder. E o machismo cotidiano é a argamassa do estupro. O silêncio e o “passar de pano” são onde se nutrem as violências sistemáticas contra as mulheres

 

Publicado 16/03/2026 às 18:07 - Outras Palavras

Foto: William Heick

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Diante de tantos casos de estupro que abarrotaram a mídia estes dias, me vi tomada de muita raiva. Uma adolescente de 17 anos foi estuprada coletivamente pelo ex-namorado e seus comparsas. O estupro de uma senhora de 71 anos pelo motorista do ônibus, uma criança de 12 anos tendo estupros diários chancelados pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais. O estupro, inclusive, de uma freira de 82 anos, assassinada em seguida. Não sou de xingar, mas nesses momentos me vem um sonoríssimo “filhos da puta” à cabeça. Só que não poderia haver equívoco maior. Esse xingamento é só mais um sinal de como a nossa linguagem é patriarcal. Estupradores não são filhos da puta, muito menos filhos da mãe. São filhos do patriarcado, porque são o ápice da expressão patriarcal em todo seu horror.

Não faz muito tempo, escrevi o texto “Onde você guarda o seu estuprador? Os homens e a urgência de destruir “o mandato da masculinidade”. Qual era mesmo a raiva da época? Ah, sim, um médico anestesista que estuprava uma mulher na mesa de cirurgia de sua cesárea e o vídeo dessa cena grotesca sendo violentamente reproduzido na mídia, espetacularizando a violência e revitimizando a parturiente estuprada, como se não bastasse a notícia.

Lembro de um cartaz de uma manifestante divulgado em foto pelo Mídia Ninja: “Estupradores são filhos saudáveis do patriarcado”. Uma amiga me corrigiu: “são filhos diletos do patriarcado”. É verdade, porque filhos saudáveis do patriarcado são quase todos os homens. E mulheres também, por certo, como a juíza que instigava uma criança estuprada que acabara de completar 11 anos de idade a seguir com a gravidez: “Você pode aguentar mais um pouquinho?”. Essa é bem filha dileta do patriarcado. Mas aqui quero falar dos homens.

É que precisamos falar dos homens, ou melhor, falar do que constitui a masculinidade, com muita urgência. Está faltando demais essa parte do debate. E mais do que isso, precisamos que os homens falem da masculinidade e do patriarcado. Que falem conosco, mas que, sobretudo, falem entre si, com seus pais e filhos, com seus amigos e colegas, que não se calem mais. Porque aí está a chave para compreender o estupro e o estuprador. O que compõe e estrutura o estupro é o machismo. Nós, mulheres, já nos demos conta disso, sabemos bem o que significa ter um corpo feminino num mundo patriarcal. É preciso agora que vocês, homens, se deem conta. Há um estuprador em potencial em todo homem.

Já posso até ver chegando os homens de bem para dizer que “não, não, nem todo homem”. Nem todo homem é estuprador, mas os estupradores são todos, ou quase todos, homens. E ainda por cima “homens de bem”. São médicos e enfermeiros, pastores e padres e políticos. Homens e cidadãos ilustres. Alguns mais famosos, como o João de Deus, alguns que acabam de ganhar celebridade, como o médico anestesista que angariou novos seguidores no Instagram, alguns menos famosos, escondidos nos bons lares brasileiros.

Depois chegarão outros homens que dirão “mas eu sou um homem de família”. Também já sabemos que a grande maioria das vítimas de estupro, 8 de cada 10 casos, no Brasil, foram abusadas por pessoas próximas, conhecidas. Os estupradores são, muitas vezes, pais, padrastos, irmãos, tios, primos, avôs, homens de família e homens da família.

Ainda que nem todos os homens sejam “filhos diletos do patriarcado”, é preciso entender o papel crucial de cada um na sua manutenção. Como bem colocou Rita Segato, não é o estupro que sustenta o patriarcado. O estupro é tão somente uma expressão aguda do patriarcado, como é o feminicídio, duas pontas extremas do mesmo iceberg. O que sustenta o patriarcado, sua “argamassa hierárquica”, nos termos de Segato, são os mínimos gestos, como quando rimos de um comentário machista, por exemplo. As piadas, as coisas que achamos em geral uma pequena bobagem e deixamos passar. Homens estão pouco dispostos a confrontar outros homens, porque isso coloca em xeque sua virilidade, produz uma rachadura na fratria. Essa conivência vai dos pequenos gestos aos mais graves, vai da piada ao estupro, e faz de cada homem conivente uma peça primordial na manutenção desse quadro sinistro. O machismo cotidiano é a argamassa do estupro. Nos surpreendemos com a quantidade de estupros na sociedade, uma assombrosa pandemia, mas não entendemos que está tudo estruturado para tanto. O estupro é um crime intrinsecamente ligado à masculinidade tal como esta é constituída em nossa sociedade.

Uma das pesquisas mais interessantes já feitas sobre o tema até hoje foi aquela realizada pelo Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre a Mulher (NEPEM), da Universidade de Brasília, nos anos 90. Ali, ao ouvir presos por estupro na Papuda, penitenciária masculina do DF, desfizeram-se muitas das crenças que tínhamos a respeito de estupradores. A partir desta pesquisa, Rita Segato pode entender uma chave importante do patriarcado, que é o estupro, e uma chave importante sobre o autor desse crime: que o estuprador é cumpridor de um mandato, o mandato da masculinidade. Certamente, hoje, sua obra é a que chega mais perto do entendimento do estupro. A antropóloga afirma que o estupro não é um ato sexual, mas um ato disciplinador, ou seja, um crime de poder. O estuprador é, no fundo, um moralizador, cumpridor de um “mandato de masculinidade”. Para Rita Segato, todo homem é vítima desse “mandato”, que nada mais é do que ter de demonstrar permanentemente que é homem, exibir virilidade, poder e força para outros homens. No imaginário do homem estuprador estão os outros homens, para os quais precisa demonstrar seus atributos. O gozo não é sexual, é um gozo de poder. A libido vem de demonstrar a outros homens que também pode subjugar, que é merecedor de seu lugar na fratria.

A demonstração de virilidade a outros homens é, no entanto, uma demonstração jamais acabada. Um homem jamais chega a ser homem de forma definitiva — a masculinidade é uma prova constante. Se o indivíduo foi homem a vida inteira, mas um belo dia acordou de manhã e decidiu passar um batom, foi tudo por água abaixo. O mandato da masculinidade é um fardo deveras pesado de se carregar. O valor de um homem está sempre posto à prova por outros homens, o ser masculino é refém do olhar masculino alheio, do olhar dos pares que vai chancelá-lo, dizer que, “sim, muito bem, você é muito macho”. Quem carrega esse fardo são os egos fragilíssimos que a masculinidade constrói — egos frágeis porque não se sustentam por si só, precisando se alimentar de um outro, na maioria das vezes uma outra, que eles subalternizam, controlam, põem em seu devido lugar. É “a exação de tributos” de que fala Rita Segato.

Ao analisar o discurso dos estupradores, Rita Segato, em “As estruturas elementares da violência” (tradução publicada no Brasil em 2025), pode entender algumas facetas do estupro: seu caráter moralizador, como castigo “a uma mulher genérica que saiu de sua posição de subordinada”; seu caráter de “afronta a outro homem, para restaurar o poder perdido para ele”; e o estupro “como demonstração de força, poder perante pares”. Ao demonstrar que pode submeter uma mulher e que pode dela “extrair tributos”, o homem garante seu acesso à “fratria”, à “confraria viril”, ao “clube dos homens”.

Outra chave para compreender a irmandade masculina, o “clube dos homens”, é perceber o aspecto absolutamente homoafetivo da heterossexualidade masculina, como apontado por Marilyn Frye em “Políticas da Realidade: Ensaios sobre Teoria Feminista”, de 1983. Frye entendeu que, apesar de manter relações sexuais exclusivamente com mulheres, os homens hétero cultivam o amor por outros homens, pelos quais guardam admiração e respeito, a quem “imitam, idolatram e com quem criam vínculos mais profundos; a quem estão dispostos a ensinar e com quem estão dispostos a aprender; aqueles cujo respeito, admiração, reconhecimento, honra, reverência e amor eles desejam: estes são, em sua maioria esmagadora, outros homens”. Em outras palavras, tudo que diz respeito ao amor, os homens guardam para outros homens. Para as mulheres, “reservam gentileza, generosidade ou paternalismo” e delas esperam “devoção, servitude e sexo.”

Trocando em miúdos, grande parte do que chamamos de masculinidade e heterossexualidade é, na verdade, uma exacerbação do mundo masculino e um rechaço ao feminino, que, em outras palavras, podemos chamar de misoginia. Para ser homem, é preciso ter seu referente de valor e admiração no mundo dos homens. Não é preciso somente extrair valor da subalternização do feminino, demonstrar sua virilidade, mas confirmar esse valor perante os pares. Isso torna os homens reféns do olhar dos outros homens, porque é do olhar e da confirmação dos pares que recebem também o seu valor, a sua potência. Segundo Rita Segato, “a humanidade do sujeito masculino está tão comprometida por sua virilidade, que ele não se vê podendo ser pessoa digna de respeito se não tem o atributo de alguma potência — potência sexual, bélica, de força física, econômica, intelectual, moral, política”. Em outras palavras, no fundo, é de uma fragilidade imensa o ego masculino, pois precisa exibir “potências”, exibir o “consumo” de corpos femininos, seu “poder moralizante” sobre as mulheres, e ser ratificado, aprovado pela fratria, seus pares, seu grupo, para se confirmar.

É urgente entendermos o quão sinistra é a construção da masculinidade e como, contraditoriamente, ela produz egos frágeis, egos que não se sustentam por si, egos que estão sempre à prova. O patriarcado é uma máquina avassaladora de fazer sujeitos frágeis, defensivos, fracos e, por isso, ao mesmo tempo, violentos, abusivos, autoritários, controladores, moralizadores. A violência, como necessidade da “exação de tributos”, é a prova mais contundente de sua debilidade.

Lembro daquela genial campanha que nos interpelava: “onde você guarda seu racismo?”. Precisamos somar urgentemente a essa pergunta uma outra: “onde você guarda o seu machismo?”. Talvez, ainda mais urgente, seja cada homem se perguntar todos os dias: “onde você guarda o seu estuprador?”.

Você guarda o seu estuprador quando se cala, quando entende que o estupro não é um problema seu, quando resguarda o estuprador ao lado, seu irmão, seu primo, seu colega. Você guarda o seu estuprador quando ri de piadas machistas ou se cala. Você guarda o seu estuprador quando é cúmplice de violências e crimes pelo silêncio, pela conivência. Isso também é guardar o seu estuprador.

Quando cada homem tiver a coragem de remexer suas gavetas para entender que o problema do estupro é, sim, um problema seu, um passo importante terá sido dado para desfazer esse crime que persiste, grassa e recrudesce em pleno século XXI. Encontrar onde está guardado o estuprador em você, homem, é o primeiro passo, o mais digno, para desfazer “o mandato da masculinidade”.

É que passou da hora de entendermos que estupradores não são os monstros dos infernos. Nem os monstros das esquinas. Estupradores não são monstros, ponto. São homens comuns. Homens de bem. Homens de e da família. Os joãos que se dizem de deus e outros messias. São um macho vil dentro de cada homem, um machinho raso, egóico e autoritário e, no fundo, bem no fundo, frágil, fraco, covarde.

Homem, não guarde o seu estuprador.

[Texto originalmente publicado no Brasil 247, sob o título “Onde você guarda o seu estuprador? Os homens e a urgência de destruir o “mandato da masculinidade”, em 08 de agosto de novembro de 2022, com pequenas atualizações em 5 de março de 2026]


Referências:

Almeida, Tania, Danielli Jatobá França, Heber R. Gracio, Renata Weber y Thania Arruda (1995), Relátorio Parcial da Pesquisa sobre Estupradores lnternos na Papuda, Brasilia, NEPeM

Edelstein, Josefina. Entrevista com Rita Segato, 2019. “Segato: Por qué la masculinidad se transforma en violencia”. Acesso em 18/07/2022 https://www.lahaine.org/mundo.php/segato-por-que-la-masculinidad

Frye, Marilyn. Lesbian Feminism and the Gay Rights Movement: Another View of Male Supremacy, Another Separatism in Politics of Reality: essays in feminist theory (Crossing Press, 1983). Acesso em 18/07/22: http://www.feminist-reprise.org/docs/fryegayrights.htm

Segato, Rita. Las estructuras elementales de la violencia. Buenos Aires, Prometeo, 2003.

Segato, Rita. As estruturas elementares da violência. Tradução: Danú Gontijo, Marianna Hollanda, Livia Vitenti. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2025.

fonte: https://outraspalavras.net/feminismos/onde-voce-guarda-o-seu-estuprador/

 

Entenda o que são “redpill” e outros termos de ódio contra mulheres

Grupos estimulam violência e defendem hierarquia de gênero na internet
Rafael Cardoso - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 12/03/2026 - 07:49
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro (RJ), 08/03/2026 – Ato do Dia Internacional da Mulher ocupa a praia de Copacabana, na zona sul do Rio, pedindo o fim das violências contra as mulheres. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

© Tomaz Silva/Agência Brasil

 

 

Há décadas, grupos de homens têm atuado em fóruns de internet, redes sociais e outros canais de comunicação para estimular hierarquias de gênero e ódio contra as mulheres. Espaços e discursos de ódio, segundo especialistas, são combustíveis para ações concretas de violência, como o caso recente de estupro coletivo contra uma adolescente no Rio de Janeiro.

Ativistas e pesquisadores veem esses movimentos e ideologias como parte de um fenômeno estrutural chamado “misoginia”: o ódio contra as mulheres e a defesa da manutenção de privilégios históricos – sociais, culturais, econômicos e políticos – para os homens.

Grupos misóginos têm códigos comuns para se comunicar e difundir ideias. Usam, como estratégia de falsa equivalência, o termo “misandria”, ao definir um suposto movimento de ódio e preconceito contra homens. Alegam, por exemplo, que o feminismo e leis de proteção à mulher são formas institucionalizadas de destruição da masculinidade.

Em resposta ao feminismo, que defende a igualdade de direitos e oportunidades, adotam o “masculinismo”: conjunto de ideologias que prega uma “masculinidade tradicional”, com direitos diferenciados para homens e mulheres.

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A feminista e ativista Lola Aronovich sofre com ataques misóginos na internet desde 2008, quando criou o blog “Escreva Lola Escreva”. A luta dela resultou na prisão de um dos agressores e estimulou a criação da Lei nº 13.642/2018, que atribui à Polícia Federal a responsabilidade pela investigação de conteúdos misóginos na internet.

Ela entende que os agressores possuem um perfil muito parecido.

“Desde o começo do meu blog, percebi que são homens héteros, de extrema direita. Todos apoiam lideranças como Bolsonaro e Trump. Esses homens sempre carregam um combo de preconceitos. Não são apenas machistas. São também racistas, homofóbicos, gordofóbicos, xenófobos, capacitistas”, avalia Lola.

Confira mais informações sobre misoginia, no Repórter Brasil, da TV Brasil

Conheça, abaixo, outras palavras e expressões comuns utilizadas por grupos misóginos na internet.

Principais grupos e comunidades

Machosfera: termo que engloba fóruns na internet, canais de YouTube, grupos de WhatsApp e perfis em redes sociais voltados para defesa da masculinidade tóxica, o ódio às mulheres e a oposição aos direitos femininos.

Chans: fóruns anônimos que são frequentemente espaços para discursos extremistas, vazamento de fotos íntimas e ataques coordenados contra mulheres.

Incels: contração das em inglês involuntary celibates (celibatários involuntários). São homens que alegam, de forma ressentida e violenta, não conseguir parceiras sexuais ou românticas por culpa das mulheres ou de padrões sociais.

Redpill: termo inspirado no filme Matrix, em que o protagonista toma uma pílula vermelha que dá a ele consciência da realidade. Na machosfera, descreve homens que acreditam ter “despertado” para uma suposta realidade em que as mulheres manipulam e exploram os homens. Pregam que o homem deve reassumir o domínio e manter a mulher submissa.

MGTOW (Men Going Their Own Way): homens que pregam o afastamento total de relacionamentos com mulheres, alegando que as leis e a sociedade moderna são injustas com o sexo masculino.

Pick Up Artists (PUA): na tradução livre, significa “artistas da sedução”. Homens que utilizam técnicas psicológicas e de manipulação para obter sexo. Tratam mulheres como objetos ou prêmios a serem conquistados.

Tradwife: mulheres que defendem o retorno aos papéis tradicionais de gênero, nos quais elas serão exclusivamente donas de casa e submissas ao marido.

Arquétipos e hierarquias:

Blackpill (pílula preta): enquanto o redpill prega que o homem deve acordar e agir, o blackpill afirma que o destino de um homem é determinado exclusivamente pela sua genética (aparência, altura, estrutura óssea). Para eles, se você não nasceu com características físicas superiores, não há esforço ou confiança que mude o fracasso social e amoroso.

Bluepill (pílula azul): termo pejorativo para descrever homens que acreditam na igualdade de gênero ou que buscam relacionamentos saudáveis, vistos pelos grupos misóginos como “alienados” ou “fracos”.

Chad: é o homem visto como geneticamente perfeito, atraente, confiante e sexualmente ativo. Na visão desses grupos, é o único tipo que as mulheres realmente desejam, independentemente do caráter.

Alfa: é o topo da hierarquia social masculina. É a idealização do homem dominante, líder, fisicamente forte, financeiramente bem-sucedido e sexualmente atraente.  Diferente do Chad (que nasce com genética privilegiada), o Alfa é visto como status que pode ser alcançado por esforço e mudança de mentalidade.

Beta: é o homem comum, visto como submisso, cooperativo e sem dominância social. São frequentemente ridicularizados por serem, na visão da machosfera, usados pelas mulheres apenas por estabilidade financeira.

Sigma: popularizado em redes como o TikTok, é o homem visto como um “alfa solitário”, que não precisa de validação social e foca apenas no próprio sucesso. O termo é frequentemente usado para mascarar isolamento e desprezo pelas mulheres.

Stacy: contraparte feminina do Chad. É o termo usado para descrever mulheres consideradas extremamente atraentes e de alto status social, que supostamente só se interessariam por Chads, desprezando todos os outros homens.

White Knight (Cavaleiro Branco): termo pejorativo para descrever homens que defendem mulheres ou causas feministas de forma mentirosa, apenas como estratégia desesperada para tentar conseguir atenção feminina ou sexo.

Becky: mulher considerada de aparência mediana e comum, situada abaixo da Stacy na hierarquia visual criada por essas comunidades misóginas.

Termos e gírias comuns

Depósito: gíria ofensiva usada em fóruns e redes sociais para se referir às mulheres como um todo, tratando-as meramente como recipientes para o prazer sexual masculino.

80/20: teoria pseudocientífica que afirma que 80% das mulheres competem por apenas 20% dos homens (os mais atraentes ou ricos), deixando o restante dos homens sem opções.

Hypergamy (Hipergamia): crença de que as mulheres buscam apenas parceiros de status social ou financeiro superior ao delas para tirar vantagem.

AWALT (All women are like that): sigla, em inglês, para “todas as mulheres são assim”, usada para estereotipar comportamentos femininos.

Femoids ou FHOs: significa “organismo humanóide feminino”, um termo ofensivo que sugere que mulheres são inferiores aos homens, e até mesmo subumanas.