Ministras e parlamentares discursaram por uma vida digna

 

Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil
Publicado em 25/11/2025 - 13:08
Brasília

Brasília -DF 25/11/2025 - Sessão solene em Homenagem à Marcha das Mulheres Negras 2025. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil.© Lula Marques/ Agência Brasil.

Uma sessão solene na Câmara dos Deputados homenageou a Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver realizada nesta terça-feira (25) na Esplanada dos Ministérios em Brasília.

Organizada pelo Comitê Nacional da Marcha das Mulheres Negras, mobilização nacional busca colocar em pauta os direitos básicos desse segmento da população – como moradia, emprego e segurança –, mas também uma vida digna, livre de violência e ações de reparação.

A sessão foi aberta pela deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) que disse que o plenário da Casa, lotado de mulheres negras, representava o povo brasileiro.

“O povo brasileiro é uma mulher negra. Temos o compromisso de que muitas outras mulheres negras ocupem o Congresso Nacional. Temos uma bancada negra que tem um projeto de país. A agenda passa por reparação e a ocupação das mulheres negras em todos os espaços de poder.”

Para a coordenadora da bancada feminina, deputada Jack Rocha (PT-ES), a marcha não é apenas um ato político, mas sim um projeto político de país.

“É um projeto político ocupar esse plenário, ter um orçamento que nos caiba, construir um Brasil antirracista. Saudamos as nossas ancestrais. As nossas vozes não podem ser silenciadas”, disse.

Brasília -DF 25/11/2025 - Sessão solene em Homenagem à Marcha das Mulheres Negras 2025. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil.
Sessão solene no plenário da Câmara dos Deputados em Homenagem à Marcha das Mulheres Negras 2025 - Lula Marques/ Agência Brasil.

Segundo a ministra da Cultura, Margareth Menezes, presente na sessão solene, a marcha tem um simbolismo muito grande.

“Precisamos ser vistas, respeitadas como cidadãs, com todos os direitos constitucionais garantidos. Depois de 300 anos de escravidão, continua o racismo estrutural. São mais de 100 anos sem reparação histórica”, disse a ministra.

Para a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, a marcha das mulheres traz um recado para o Estado brasileiro: “Se vocês combinaram de nos matar, nós combinamos de não morrer. Vamos transformar o Estado brasileiro, com justiça racial para o nosso povo.”

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, disse que a Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver marca o sonho e o futuro desejados para o país.

“Hoje é dia da gente marchar, é dia de emoção e de revolução”, afirmou a ministra.

 

Mulheres negras celebram marcha mundial em sessão solene no Congresso

Deputadas convocaram sessão solene em homenagem à marcha mundial das mulheres negras

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Deputadas e ministras participaram de sessão solene na Câmara
 

Deputadas, ministras e militantes negras estiveram nesta terça-feira (25) na Câmara para uma sessão solene em homenagem à Marcha Mundial das Mulheres Negras. O pedido de reparação e de políticas públicas fizeram parte dos discursos das lideranças e marcaram a ocupação de um Congresso com pouca representação para as mulheres negras.  

A sessão foi presidida pela deputada Benedita da Silva (PT-RJ). Militante histórica do movimento e primeira senadora negra do Brasil, a congressista abriu espaço do plenário para organizações e movimentos populares que viajaram à Brasília para participar da marcha. 

A deputada e líder do Psol na Câmara, Taliria Petrone (RJ), foi a primeira a discursar. Ela disse que a presença de mulheres negras na Câmara dos Deputados é representativo para o Brasil porque mostra qual é “a cara do país”.

“O povo brasileiro é uma mulher negra, e ocupar esse espaço é representativo. Nós temos hoje um projeto de país. A nossa existência é de dor, mas também não existe um Brasil sem o poder das mulheres negras. A agenda do bem viver passa por reparação”, disse.

Outra a discursar no plenário foi a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo. Ela destacou que na última marcha, realizada em 2015, as pautas eram parecidas com o debate atual, mas o genocídio da população negra seguiu e intensificou em 10 anos, o que liga um sinal de alerta para o movimento organizado.

“Em 2015 estávamos aqui marchando e advogando por políticas públicas e por reparação. Em 2025 a gente ainda chega com muitas pautas importantes na ordem do dia. E hoje temos um recado claro: se vocês combinaram de nos matar, nós combinamos de não morrer”, afirmou.

A sessão também contou com a presença das ministras da Igualdade Racial, Anielle Franco, e da Cultura, Margareth Menezes.

A assistente social e militante Ednolia Andrade viajou da Bahia ao Distrito Federal para participar da marcha e conta que esteve no primeiro encontro, há 10 anos. Ela destaca que as pautas hoje são ainda muito parecidas com o que era debatido naquela ocasião, mas reforça que é necessário ter avanços importantes com projetos de lei e políticas públicas que sejam, de fato, efetivas.

“Nós tivemos um pouco de avanço, mas ainda estamos tratando das mesmas pautas. As políticas públicas precisam ser absorvidas pela população. A questão racial é uma questão de todos os brasileiros. Enquanto as pessoas não entenderem esses recortes, elas vão continuar reproduzindo processos de violência. E nós, mulheres negras, somos quem mais sofremos por conta disso. Não consigo pensar em democracia sem justiça para as mulheres negras”, disse ao Brasil de Fato..

No processo de avanço do debate, as militantes reforçam que as mulheres negras que vieram antes são fundamentais na luta. A ancestralidade é um termo importante dentro do feminismo negro por fazer esse resgate da história de quem veio antes na luta. E não foi diferente nesta terça no plenário da Câmara. 

A ativista Maria Jardim, do coletivo Pretas de Angola, em Goiás, destaca que estar nesse espaço é fundamental porque mostra a própria força da marcha e dos movimentos negros organizados no país. “É muito simbólico e significativo para o povo negro brasileiro. Entendermos e fazer valer essa ideia de casa do povo, de que esse espaço é nosso também. Tem um peso simbólico ocupar a Câmara nessa configuração política, mostra a força a da marcha e da organização das mulheres negras no Brasil”.

Marcha em Brasília une mulheres de todo país na luta contra o racismo

 

Milhares participam de movimento que completa 10 anos em 2025
Daniella Almeida - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 25/11/2025 - 13:22
Brasília
Brasília (DF), 25/11/2025 - Marcha das mulheres negras na esplanada dos ministériosFoto: Bruno Peres/Agência Brasil
© Bruno Peres/Agência Brasil

Milhares de mulheres negras de diversas partes do país estão reunidas em Brasília nesta terça-feira (25) para uma marcha que busca colocar em pauta os direitos básicos desse grupo da população. 

A ministra das Mulheres, Márcia Helena Lopes, destacou que as mulheres negras representam 28% da população.

"A a nossa luta é pela reparação, é pela igualdade racial, é pela igualdade de gênero. São cerca de 10 milhões de meninas e mulheres por esse Brasil. Então, que essa marcha se estenda por todo o Brasil e por todo o planeta", destacou. 

Brasília (DF), 25/11/2025 – Lindinalva Barbosa participa da marcha da mulheres negra na esplanada dos ministérios.
Foto: Daniella Almeida/Agência Brasil
Lindinalva Barbosa participa da marcha em Brasília. Foto: Daniella Almeida/Agência Brasil

Apesar do clima chuvoso na capital federal, as participantes caminham pela Esplanada dos Ministério desde 12h. Uma delas é Lindalva Barbosa, servidora pública aposentada que veio de Salvador (BA) para estar com outras ativistas na mobilização.

Ativista há 40 anos, ela lembra que as mulheres negras “marcham há séculos” por liberdade, justiça, saúde e, sobretudo, pelo direito à vida. 

“Eu vim marchar por reparação e bem viver para as mulheres negras e para todo o Brasil. Porque, quando as mulheres negras se movimentam, toda a sociedade se movimenta, como diz Angela Davis”, afirma Lindalva, citando a filósofa e escritora norte-americana referência mundial na discussão sobre racismo.  

As mulheres presentes na marcha ressaltam que participar da mobilização renova e fortalece os movimentos que trabalham em defesa dos direitos da população negra.  

Brasília (DF), 25/11/2025 – Ana Benedita Costa, do Frevo,  participa da marcha da mulheres negra na esplanada dos ministérios.
Foto: Daniella Almeida/Agência Brasil
 Ana Benedita Costa participa da marcha. Foto: Daniella Almeida/Agência Brasil 

“Eu vim à marcha principalmente para nos fortalecer, mas acima de tudo para colher essa energia dessas mulheres. E para aprender também. Eu ando em marcha não só por mim, mas por todas nós”, afirma Ana Benedita Costa, do Recife (PE). 

Educadora e coordenadora de uma escola de frevo, ela ressalta a contribuição do povo negro na construção da cultura e da sociedade - que precisa ser valorizada e reconhecida. 

“Eu acredito também que nós, mulheres negras, juntas, podemos ensinar não só ao nosso povo, mas quem está ao redor, quem também acredita nessa luta antirracista”, diz.  

A luta contra a intolerância religiosa é a principal motivação de Ednamar Almeida, ialoxairá de Foz do Iguaçu (PR), para estar presente na Marcha.  

Brasília (DF), 25/11/2025 – Ednamar participa da marcha da mulheres negra na esplanada dos ministérios.
Foto: Daniella Almeida/Agência Brasil
Ednamar participa. Foto: Daniella Almeida/Agência Brasil 

“Nós, mulheres de terreiro e mulheres negras, sentimos na pele a perseguição, a injustiça, a intolerância, o racismo, tanto nas nossas comunidades quanto no nosso dia a dia”, destaca. 

Mulher trans, moradora de Brasília, Hellen Gabrielle Cunha Gomes da Silva, se juntou às participantes de outras partes do país por acreditar que a marcha traz visibilidade para causas importantes para toda a sociedade.  

“Eu vim à marcha para compartilhar com a democracia, porque acho que a população tem um papel crucial nisso. Nossa população não se interessa tanto pela política e eu acho que, se nós fôssemos mais ativos nesse campo, a nossa situação seria bem melhor no país, com um todo”, apontou. 

Brasília (DF), 25/11/2025 – Hellen Gabrielle participa da marcha da mulheres negra na esplanada dos ministérios.
Foto: Daniella Almeida/Agência Brasil

Segunda Marcha das Mulheres Negras 

A nova edição da Marcha das Mulheres Negras é realizada no mês em que é celebrado o Dia Nacional da Consciência Negra, em 20 de novembro. 

O evento ocorre dez anos depois da primeira marcha, em 18 de novembro de 2015, quando mais de 100 mil mulheres negras do Brasil marcharam em Brasília contra o racismo, a violência contra a juventude negra, a violência doméstica e o feminicídio, que vitimam essas mulheres, e pelo bem viver, rejeitando a mera sobrevivência.