O Cfemea e o Setor de Gênero do MST do DF, MG e GO iniciam segunda semana de Laboratório Feminista, com dedicação de agricultoras e camponesas
Na terça-feira, 10 de fevereiro, as participantes do Laboratório Organizacional Feminista para a Sustentação da Vida, organizado pelo Cfemea em parceria com o Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores Rurais Sem Terra da regional do DF, MG e GO, realizaram um exercício muito importante.
Todos os dias elas realizam reuniões de Comissões de uma Cooperativa que criaram nos primeiros dias do Laboratório, como forma de experimentar a vida de uma Cooperativa real, seus problemas, as soluções e as ferramentas de gestão democrática, feminista e participativa.
Hoje, elas realizaram novamente essa reunião, revisando a leitura (veja abaixo) dos instrumentos organizacionais que utilizam no Laboratório e se dedicaram ao término ou atualização do Plano de Trabalho de cada Comissão.
As coordenadoras, depois do almoço com todas, fizeram um reunião onde se destacou, na fala de várias, a percepção de nítido progresso das participantes do Laboratório no domínio dos instrumentos e na forma da participação.
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |

Conheça algumas das ferramentas utilizadas por elas nas Comissões:
INSTRUMENTOS ORGANIZACIONAIS
PROPOSTA DE PAUTA
A proposta de pauta é um instrumento fundamental para a organização e condução eficiente de encontros formais, como reuniões ou assembleias. Ela deve conter a definição nítida dos assuntos que serão tratados, o tempo estimado para cada tema e a estimativa da duração total da reunião.
Exemplo: 1. Leitura e discussão da proposta de pauta - duração: 10 minutos
Além disso, é indispensável indicar ou sugerir quem ficará na coordenação, quem ficará responsável pela secretaria e quem será responsável pelo controle do tempo.
Para promover a participação de todas, a proposta de pauta deve incluir etapas essenciais, como:
- Leitura, discussão e aprovação da pauta;
- Leitura e aprovação do IBC da reunião anterior;
- Informes;
- Sempre que possível, toda reunião deve revisar o Plano de Trabalho da Comissão, verificando o que foi realizado e o que não foi (debatendo os motivos disso e alternativas);
- Encaminhamentos.
Lembrando que a proposta de pauta deve conter uma estimativa do tempo necessário para cada item e o tempo total da reunião ou assembleia.
Esse instrumento assegura que os encontros ocorram de maneira estruturada, com objetivos bem definidos e respeito ao tempo e às contribuições de todas as participantes.
PLANO DE TRABALHO - O plano de trabalho é um instrumento essencial que orienta todo o processo organizacional, assegurando a distribuição equitativa e humanizada das atividades. Quando analisado de forma criteriosa e revisado constantemente, ele contribui para prevenir a sobrecarga de tarefas, o cansaço e a fadiga. Além disso, fomenta o respeito tanto a cada uma das pessoas quanto ao coletivo, promovendo um ambiente de colaboração e bem-estar. Este documento também incentiva a prática do autocuidado e do cuidado coletivo, alinhando as ações às necessidades e ao desenvolvimento contínuo das pessoas envolvidas.
Para elaborá-lo recomenda-se criar uma tabela com os seguintes itens: Atividades e tarefas, prazo, responsável, monitoria e situação atual.
- Atividades: podem representar uma ou mais tarefas (um conjunto de tarefas a ela vinculadas). São ações concretas cujo resultado pode-se ver, sentir e podem ser necessárias para que outras atividades sejam realizadas depois dela ou ser um fim em si mesma (por exemplo, consertar o telhado da plenária – tapar os buracos)
- Tarefas: São partes menores e mais detalhadas das atividades. Elas são ações concretas que precisam ser realizadas. Por exemplo, dentro da atividade de corrigir provas, uma tarefa pode ser corrigir a redação de um aluno específico.
- Prazo: o tempo que será necessário para executar a atividade ou tarefa
- Responsável: companheira ou companheiras que executarão a atividade ou tarefa ou ficará com a responsabilidade de juntar as pessoas para realizarem a tarefa as ou contratar a especialista para a tarefa.
- Monitoria (supervisão): a pessoa que ficará responsável em acompanhar se a responsável pela tarefa está conseguindo realizar o que lhe foi designado, antes mesmo que a outra reunião ocorra. Se perceber que a companheira está precisando de ajuda ou não vai dar conta, ela pode ajudar ou sugerir um encaminhamento para a execução da tarefa. Quando a reunião ocorrer e for examinado se a tarefa foi executada ou não, a monitora apresentará um relato com sua opinião sobre o que ocorreu e sobre os motivos que não deixaram a atividade ser executada.
- Situação Atual: o que determina a necessidade da tarefa ou atividade e o que precisa ser feito para corrigir ou melhorar. E se outra Comissão deverá ser acionada, por exemplo se a atividade requisitar o gasto de recursos financeiros, será pedido autorização para a Comissão de Finanças, então a atividade terá como primeira tarefa pedir a liberação de recursos para a Comissão de Finanças.
LEMBRAR que essa é uma proposta ou sugestão, o Plano de trabalho pode conter outros itens dependendo da necessidade do órgão que elabora o Plano, se uma Comissão, se um Grupo de Trabalho ou se toda a Cooperativa.
É importante ver que o Plano de Trabalho não substitui o PROJETO, que geralmente é elaborado para o desenvolvimento de um conjunto de ações futuras que exigem o financiamento ou a colaboração com outras organizações. (exemplo: o projeto de construção de uma casa de farinha ou o projeto de instalação de lojas para comercializar os produtos da Cooperativa)
INFORME E BALANÇO CRÍTICO - IBC
Toda reunião deve ter um informe, ata ou relatório ao final, que será elaborado pela pessoa encarregada pela secretaria (ou por membras da Comissão escolhidas para isso) e aprovado pelo conjunto das participantes daquela reunião. Esse relatório pode ser uma simples ATA, normalmente redigida para que seja registrada em Cartório ou entregue a órgão público que exija a formalização de alguma decisão da Cooperativa. A Ata informa quem participou da reunião, quando foi realizada e como foi convocada, a pauta e o que foi discutido e quais as decisões tomadas.
O informe pode ser um RELATÓRIO com mais detalhe sobre o que foi discutido, se isso for necessário, apresentando os motivos das decisões e os valores financeiros correspondentes, se existir alguma aprovação de gastos ou solicitação de gastos.
Caso alguma das participantes veja que é necessário se fazer um balanço crítico a uma Ata ou Relatório apresentado, ela pode juntar sua opinião e sugestões sobre o ocorrido. Isso ajuda a tornar mais compreensível o que gerou ou como se resolveu um problema ou é também uma forma de se apresentar uma ideia nova.
O BALANÇO CRÍTICO é um instrumento fundamental para estabelecer a unidade (compartilhamento do mesmo objetivo) e a disciplina (respeito aos acordos) dentro da empresa (coletivo). Ele permite que qualquer uma das companheiras, ao perceber um "equívoco" que possa impactar o desenvolvimento das pessoas ou da empresa como um todo, elabore um comunicado de forma humanizada (autocuidado e cuidado coletivo). Nesse comunicado, a companheira deve explicitar o assunto, apresentar a crítica construtiva ou negativa e finalizar com uma sugestão plausível. Também possibilita praticar o Autocuidado e cuidado coletivo.
ATA
A ata é um documento oficial e objetivo que registra, de forma detalhada e organizada, os acontecimentos, deliberações e decisões tomadas durante uma reunião ou assembleia. Trata-se de um registro histórico, fundamental para garantir a transparência e o acompanhamento das ações, servindo como referência futura. Sua elaboração deve ser clara, precisa e imparcial, contendo informações como data, local, participantes, pautas discutidas e os encaminhamentos aprovados.
RELATÓRIO
O relatório é um documento descritivo e analítico que apresenta, de maneira sistemática, informações e dados sobre determinado assunto, atividade ou projeto. Ele pode ter diferentes finalidades, como informar, avaliar ou propor ações. Geralmente, o relatório inclui introdução, desenvolvimento e conclusão, sendo importante que seja claro, bem estruturado e objetivo. Ele serve como ferramenta de gestão, auxiliando na tomada de decisões e no acompanhamento de processos.
MEU DIÁRIO
Você já teve um diário? Queremos te convidar a elaborar o seu “Diário” desses 70 dias que vamos passar juntas durante o Laboratório Organizacional Feminista para a Sustentação da Vida.
A cada dia, te pedimos que escreva um pouco sobre o que você está vivendo durante o Laboratório, fale o que você quiser, o que achar importante da sua experiência.
No cabeçalho de cada página anote seu nome e o dia da escrita. Fique à vontade para escrever como quiser, quantas linhas quiser, para desenhar, rimar... da forma que você achar melhor para descrever a sua experiência dia-a-dia no Laboratório.
O diário é seu, particular, vai ficar contigo. Apenas a Equipe de Facilitação terá acesso ao que você escrever, com o único objetivo de acompanhar mais de perto o seu processo, conhecer melhor as suas necessidades e te apoiar.
Depois de escrever sobre o seu dia, fotografe a página e envie para a companheira da Equipe de Facilitação que vai te acompanhar.
#EstamosJuntas
OBSERVAÇÕES SOBRE ESSE INSTRUMENTO METODOLÓGICO
PARA A COORDENAÇÃO
O diário é uma “deixa” para as participantes dedicarem um tempinho para olharem para si mesmas e reconhecerem suas experiências durante o laboratório.
Falar é bem diferente de escrever. A escrita ativa áreas cerebrais importantes para o aprendizado, memória e criatividade, abrindo novas conexões neurais e outras possibilidades de organizar o cérebro.
Podemos nos dividir na equipe de facilitação e definir quem vai acompanhar cada uma das participantes, ajudá-la a dirimir dúvidas e apoiá-la em suas necessidades.
Esse acompanhamento é uma forma cuidadosa de a gente sentir o pulso do processo, nutrir laços de confiança mútua, identificar conflitos que possam existir e ajudá-las a processá-los, sem aconselhamento, e nem julgamento.
Estejamos atentas e compromissadas para jamais trazer informações do Diário à tona em qualquer espaço coletivo sem a prévia autorização da autora.
Acolher os medos, as inseguranças, aliviar as tensões, processar os conflitos é essencial à construção da coletividade. A fofoca, o disse-me-disse precisam ser diluídos e eliminados para que haja confiança mútua, solidariedade, reciprocidade do cuidado.
TIPOS DE REUNIÕES
REUNIÕES DE TRABALHO OU DE COMISSÕES
Reuniões de trabalho ou de comissões são encontros organizados para tratar de temas específicos relacionados à gestão, planejamento ou execução de atividades de um grupo. Elas podem ser agendadas previamente ou convocadas de maneira extraordinária, dependendo da necessidade.
Esse instrumento é essencial para manter o coletivo informado e atento aos acontecimentos, permitindo a identificação e correção de possíveis equívocos de natureza comportamental, gerencial ou financeira de forma ágil. Além disso, as reuniões de trabalho promovem a coesão dos temas relevantes a serem levados às assembleias,
Esses encontros seguem uma estrutura organizada, incluindo falas coordenadas, gestão de tempo e o registro formal de tudo o que foi debatido. Também se destacam por promover ajustes necessários e garantir a coesão das ideias a serem levadas a fóruns maiores, como assembleias. Além disso, essas reuniões são ferramentas importantes para reforçar a transparência, fortalecer a confiança entre os integrantes e integrar as equipes em busca de objetivos comuns.
ASSEMBLEIA GERAL
A Assembleia Geral é uma reunião formal que reúne todas integrantes da Cooperativa ou de um grupo, organização ou instituição para deliberar e tomar decisões coletivas. É o principal instrumento de participação democrática dentro de uma entidade, permitindo que as membras tenham voz ativa em assuntos estratégicos, administrativos e financeiros. Onde se pratica a horizontalidade e circularidade entre as integrantes na iniciativa autogestionária.
Essa instância de decisão pode ser realizada de forma ordinária, seguindo um calendário previamente estabelecido, ou de maneira extraordinária, quando questões urgentes ou específicas demandam a convocação. Durante a Assembleia Geral, as pautas previamente definidas são discutidas e aprovadas, e as decisões são registradas em ata e ou relatórios, garantindo transparência e o cumprimento dos encaminhamentos aprovados.
CONDUÇÃO DE REUNIÕES E ASSEMBLEIAS (AGO e AGE):
Objetiva a internalização das técnicas adequadas para a condução de reuniões e/ou assembleias dentro da empresa autogestionária. De forma a garantir a transparência, democratização e horizontalidade.
O coletivo deve receber com antecedência todos os instrumentos mencionados anteriormente, como a proposta de pauta, IBCs e o plano de trabalho. Todos esses documentos são discutidos nas reuniões das comissões e, posteriormente, na reunião de coordenação, onde são compilados, organizados e reproduzidos para que todos os membros do coletivo os recebam com antecedência, em que tenham tempo suficiente de leitura, análise e propositura.
Esses instrumentos orientam o coletivo sobre sua situação atual: onde está, como está, quem está envolvido e as alterações necessárias. Além disso, indicam onde queremos chegar, quem são os parceiros e quais são as próximas ações para alcançar os objetivos do coletivo.
Este é o momento de praticar a transparência, a equidade, a participação, a horizontalidade e a coletividade, visando sempre a UNIDADE.
Tanto nas reuniões como nas assembleias gerais – Ordinária e ou Extraordinária segue-se uma estrutura de composição da mesa para a condução dos trabalhos, previamente decidido, caso não seja possível escolhe-se no ato do evento, que são: Coordenação, Secretaria e Cuidado do tempo
A pauta também deve ser proposta pelas comissões e organizada sem suprimir pela coordenação. Esta então é composta de:
Leitura, discussão e aprovação da pauta com tempo definido;
Leitura, discussão e aprovação dos IBCs com tempo definido;
Leitura, discussão e aprovação dos planos de trabalhos das comissões com tempo definido;
Encaminhamentos e relatoria ou ATA.
PRINCÍPIOS QUE GUIAM NOSSAS ATIVIDADES
HORIZONTALIDADE
Horizontalidade é um princípio organizacional que busca a igualdade entre as membras de um grupo, instituição ou organização. Nesse modelo, a gestão e a tomada de decisões são feitas de maneira descentralizada, promovendo a participação equitativa de todas a integrantes. Diferentemente das estruturas hierárquicas tradicionais, a horizontalidade valoriza a ausência de níveis rígidos de autoridade, fortalecendo a cooperação, o diálogo e o respeito mútuo.
Esse conceito é amplamente aplicado em ambientes que priorizam a democracia interna e a corresponsabilidade, como coletivos, cooperativas e empresas autogestionárias. A horizontalidade não apenas fomenta a inclusão, mas também potencializa a criatividade e a inovação, ao aproveitar as perspectivas diversas de todos os envolvidos.
CIRCULARIDADE
Circularidade é um conceito que remete à ideia de processos contínuos e cíclicos, nos quais os elementos se conectam e se alimentam de forma integrada e sustentável. Em diferentes contextos, pode assumir significados específicos:
- Nas relações humanas: Representa a ideia de diálogo horizontal, onde todas as vozes têm igual importância e o aprendizado ocorre de maneira colaborativa e contínua.
- Na economia: Refere-se à economia circular, um modelo que promove a reutilização, reciclagem e reintegração de recursos, reduzindo desperdícios e impactos ambientais.
- Na educação e formação: Enfatiza a troca constante de saberes entre as participantes de forma não linear, valorizando a contribuição de todas.
De forma geral, a circularidade propõe uma visão integrada, sustentável e cooperativa, seja em processos sociais, econômicos ou organizacionais.











