O terceiro dia da trilha formativa sobre teoria da organização sob a perspectiva feminista (e quinto dia de Laboratório Organizacional Feminista), foi realizado com a leitura de textos, debates e projeção do documentário A mãe de todas as lutas

Cfemea - 6/2/26

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A primeira atividade do dia é a CHEGANÇA, um momento em que as participantes falam de si, como se sentem naquele momento, o que querem falar sobre si e sobre estar naquela atividade. Depois, teve início a reunião das Comissões, que deram seguimento à preparação do Plano de Trabalho ou à verificação do Plano nas comissões que já aprovaram o seu. Parelamente, foi realizada a primeira reunião do Núcleo Integrativo, que reúne as representantes de cada comissão.

Logo após a reunião das Comissões, foi distribuído o texto “Nosso feminismo” (extrato abaixo) para a elaboração coletiva. Foi realizada a leitura coletiva com cada uma das participantes lendo um parágrafo. Após foi realizado o debate, tendo em vista os estudos e debates realizados nos últimos dois dias,  as participantes se manifestaram a respeito do “nosso feminismo”: se concordam, discordam, complementarem, de maneira a deixar registrada a elaboração coletiva a esse respeito.  Para o registro gerl do Laboratório, o texto aprovado deve incorporar o que é controvertido, não tem que refletir apenas o consenso, e fará parte da exposição do laboratório.  

Nosso feminismo camponês e popular é fruto dos saberes e práticas das mulheres do campo que, desde os acampamentos de luta pela terra e os assentamentos de reforma agrária se unem para construir alternativas coletivas de organização, formação e luta para sustentação da vida. 
Nós, as mulheres do campo somos diversas, sujeitas de conhecimento, de direitos, de transformação da realidade social e de novas formas de organização e participação política baseadas no autocuidado e cuidado coletivo, com suas companheiras e companheiros, com suas comunidades e com a natureza e os bens comuns.  
Nos sentimos desafiadas a avançar na formulação de novas possibilidades da vida em comum, de dar à luta, a firmar um ponto de partida feminista, socialista para o Bem Viver, a criar alternativas organizativas, laços afetivos e respostas às urgências que nós mulheres que estamos na luta enfrentamos.
Para nós, o pessoal é político, e o trabalho que sustenta a vida é tanto produtivo quanto reprodutivo.
Nós mulheres temos muita experiência em organizar, manter e ampliar os laços que cuidam da vida. Porém o nosso trabalho para sustentar a vida tem sido invisibilizado, explorado, assim como nossas capacidades de criar, produzir, manter e ampliar os vínculos afetivos e os laços sociais que organizam, nutrem, tecem, protegem, defendem, cuidam da reprodução da vida e proveem as condições materiais para o seu sustento.
Estamos dispostas a refletir e elaborar coletivamente a esse respeito, e a experimentar práticas autogestionárias a esse respeito.
O nosso feminismo é antissistêmico, portanto, crítico aos sistemas de dominação patriarcado, racismo e capitalismo, os quais estruturam a vida em sociedade.
Assim, nosso feminismo se desafia a superar, nas relações sociais e interpessoais, as violências e violações de direitos humanos infligidas às mulheres rurais e periféricas, à classe trabalhadora do campo e da cidade, às pessoas e comunidades negras e quilombolas, às pessoas e povos indígenas e das comunidades tradicionais, aos sujeitos da diversidade sexual e de gênero, entre outros grupos sociais em situação social de pobreza, fome e desigualdades.
A pobreza, a fome e as desigualdades são consequências do processo histórico de formação das sociedades brasileira e latino-americanas, que se deu de forma autoritária e violenta com colonialismo, genocídios, latifúndio, escravatura, ditadura e repressão, ausência do Estado, neoliberalismo e agronegócios.  
Desta forma, nosso feminismo camponês e popular se inspira na mística e na ancestralidade das lutas populares e das estratégias das mulheres do povo que sempre foram centrais para a superação da cultura da violência, da exploração do trabalho, da opressão e da expropriação dos corpos-territórios.
Estamos pensando-sentindo, tratando de elaborar nossas reflexões, a partir da nossa experiência. Nossa disposição é para que cada uma de nós possa ter condições de se cuidar, que possamos cuidar umas das outras, que possamos nos deixar ser cuidadas (porque a gente tem direito e merece!), que cuidemos tod@s da nossa Casa Comum.
Assim, é no vínculo com a terra, com as sementes crioulas, com a perspectiva agroecológica e com a construção da soberania alimentar que as mulheres sem terra cultivam saídas às crises socioambientais, econômicas, políticas e climáticas que vivemos nos dias de hoje ao mesmo tempo em que afirmam: Queremos nossos trabalhos, saberes e práticas sociais visibilizados e valorizados! Queremos ser reconhecidas, respeitadas e valorizadas nos espaços do movimento ao qual pertencemos, que possamos nos transformar e, ao mesmo tempo, transformando o mundo para o Bem Viver. Nosso corpo é nosso território de autonomia e saúde integral! E basta de violências contra as mulheres!  

 Em seguida foi projetado o documentário A mãe de todas as lutas. 

A Mãe de Todas as Lutas é um documentário que acompanha a trajetória de Shirley Krenak e Maria Zelzuita, mulheres que estão envolvidas diretamente com a luta pela terra no Brasil. O filme propõe  relacionar a natureza como um corpo feminino, organismos que compartilham inclusive de violências e portanto, possuem causas em comum. O documentário ainda ressalta a importância da atuação feminina nas pautas ambientais e apresenta questionamentos acerca das ações possíveis para um futuro sustentável, de todos.

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