Documentos foram enviados a mais de 15 organismos internacionais para destacar a relevância histórica do julgamento no STF que ocorre nos dias 24 e 25 de fevereiro

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O Instituto Marielle Franco (IMF) acionou, na segunda-feira (26), a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para comunicar a realização do julgamento dos acusados de planejar o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, marcado para os dias 24 e 25 de fevereiro, no Supremo Tribunal Federal (STF), além de destacar a relevância histórica do processo.
Respondem como réus o ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) Domingos Brazão; o ex-deputado federal Chiquinho Brazão; o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa; o major da Polícia Militar Ronald Alves de Paula; e o ex-policial militar Robson Calixto, assessor de Domingos Brazão. Todos os acusados estão presos.
Foram enviados documentos a mais de 15 organismos internacionais de direitos humanos, em ação conduzida por Luyara Franco, filha de Marielle Franco e diretora-executiva do instituto. A iniciativa integra a estratégia de incidência nacional e internacional do IMF em torno de um processo considerado decisivo para a democracia brasileira.
Para Franco, o envio dos documentos contribui para dar visibilidade ao caso, e a decisão do STF terá impacto não apenas no Brasil, como também poderá servir de referência internacional no enfrentamento à impunidade.
“Comunicar os organismos internacionais é afirmar que este caso ultrapassa fronteiras e que a democracia brasileira está sendo colocada à prova. A condenação dos mandantes é o que pode romper um ciclo histórico de impunidade. A responsabilização de quem mandou matar minha mãe e o Anderson é condição fundamental para o compromisso do país com a verdade, a justiça e a memória”, afirma a diretora-executiva em comunicado à imprensa.
Segundo o instituto, o documento ressaltou que o caso de Marielle e Anderson se tornou emblemático em termos de violência política, especialmente contra mulheres negras e defensoras de direitos humanos, área na qual a vereadora atuava. O processo também representa um marco histórico por expressar a resposta do Estado brasileiro a um crime político cometido para silenciar uma mulher negra eleita e um trabalhador.
O julgamento ocorre no ano em que se completam dez anos da eleição de Marielle Franco e após quase oito anos de espera pela responsabilização dos mandantes do crime, ocorrido em 14 de março de 2018.





