Leila Rebouças - 26/4/2026
Para início de conversa, é preciso entender o significado de misoginia. O que é fundamental, e por que dá sentido a necessidade de uma Lei específica? Lembrando que para a existência de uma nova Lei, é preciso que ela esteja fundamentada em evidências, ou seja, que se justifique a necessidade de existência da mesma.
Segundo os dicionários diversos consultados, grosso modo, Misoginia significa ódio, desprezo ou aversão à mulheres.
Para nós mulheres, é muito fácil entender o significado de misoginia, vivemos no cotidiano as diversas faces das violências produzidas pela misoginia. Mas é preciso nomear esses sentimentos e, portanto, a Lei deve buscar traduzir e compreender essas violências, com o objetivo de desconstruir a posição de inferioridade que se traduz em violência de gênero; reduzir o crescimento dos feminicídios e agressões, inclusive no ambiente digital (internet); tipificar o ódio ou aversão às mulheres como crime de discriminação, com penas mais rigorosas; estabelecer ferramentas para frear o ciclo de violência antes que evolua para crimes letais; punir ofensas, calúnias e difamações motivadas pelo gênero.
Mas, a gente fica se perguntando por que as leis já existentes, como a Lei do Feminicídio e a Lei Maria da Penha não têm sido suficientes para conter as violências sofridas pelas mulheres e meninas e os crimes de feminicídio, racimo entre outros?
A condição de sermos mulheres e meninas num mundo machista onde apenas o fato de estarmos vivas já é vista como uma conquista ou sorte. Uma existência permeada pelo medo de sofrermos em algum momento algum tipo de violência baseada no gênero, torna a Lei contra a Misoginia urgente e necessária.
Dificilmente alguma de nós passa pela vida sem sofrer algum tipo de violência. A existência de Leis de combate à violências contra as mulheres e feminicídio se justificam por que as violências existem. As violências repetidas cotidianamente, aceitas e naturalizadas, à medida que evoluem e se traduzem em aumento das violências contra as mulheres exigem novos instrumentos. Se as Leis existentes não abarcam todas as violências, a exemplo da violência política de gênero, é necessário criar mecanismos novos, que tipifiquem essas violências, mas que também fortaleçam as leis já existentes.
É preciso lembrar que as Leis de enfrentamento a violências contra as mulheres, são fruto das lutas e vozes de mulheres, e de homens comprometidos a cultura de respeito e dignidade, para um mundo melhor de vivência e convivência plena entre homens e mulheres, onde o medo, dê lugar ao respeito e oportunidades iguais.
Ser favorável a Lei da Misoginia, é garantir que as mulheres tenham suas vozes e existência respeitadas. Simples assim!
Leila Rebouças - Pedagoga, Promotora Legal Popular e defensora dos direitos humanos das mulheres e meninas.

Manifestantes ocupam as ruas das capitais brasileiras, como São Paulo e Rio de Janeiro, neste sábado (25), para reivindicar a votação e aprovação do projeto de lei que criminaliza a misoginia. Na capital paulista, a concentração ocorreu na avenida Paulista por volta das 14h.
O movimento, organizado pelo “Levante Mulheres Vivas”, coletivos de defesa dos direitos das mulheres e centrais sindicais, ocorre de forma simultânea em diferentes pontos do país com o objetivo de pressionar o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), sobre a urgência da pauta.
A votação do Projeto de Lei (PL) 896/2023, conhecido como PL antimisoginia, equipara a misoginia ao racismo, com penas que variam de 2 a 5 anos de prisão, além de multa. O texto também prevê que esses crimes sejam imprescritíveis e inafiançáveis.

Na Paulista, mulheres defendem a criminalização da misoginia | Crédito: Guilherme Gandolfi @guifrodu
A mobilização pede a votação do texto de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA), que define o crime de misoginia como a manifestação de ódio, desprezo ou preconceito contra mulheres na Câmara Federal. A proposta estabelece penas de reclusão para quem praticar, induzir ou incitar a discriminação.
Durante o ato na avenida Paulista, Rachel Ripani, cofundadora do Levante Mulheres Vivas, destacou a importância do voto nas mulheres nas eleições deste ano.
“A gente tem que votar em mulheres que lutam por mulheres. Essa é uma campanha do Levante para este ano, para a gente tentar impedir o aumento da extrema direita no nosso Congresso, porque eles querem a nossa morte. Eles estavam comemorando o enterro do PL das mulheres vivas. Vocês entendem a simbologia disso?”, questionou.

Parlamentares comparecem ao ato na avenida Paulista. Créditos: Guilherme Gandolfi @guifrodu
Representantes do Levante afirmam que a estrutura atual do Código Penal não contempla as especificidades da violência simbólica e digital direcionada às mulheres, e, portanto, pontuam a necessidade de mecanismos legais para combater o discurso de ódio em redes sociais.
Manifestações de mulheres cobram Hugo Motta por votação de projeto que criminaliza misoginia
Mobilizações ocorrem em dezenas de cidades do país no sábado (25) e pressionam a Câmara a avançar com o PL 896/2023

Editado por: Thaís Ferraz






