Nesta quinta, presidente eleito Lula anunciou os nomes de Cida Gonçalves, Anielle Franco e Silvio Almeida, aumentando a representatividade de mulheres e negros no ministério

Por Lucas Altino — O Globo - Brasília

 

As nomeações, nesta quinta, de Anielle Franco, Cida Gonçalves e Silvio Almeida como ministérios da Igualdade Racial, da Mulher e dos Direitos Humanos, foram bem vistas por movimentos sociais, ONGs e Institutos do setor. Além da representatividade - dos 16 nomes anunciados, seis são mulheres e três do movimento negro - especialistas elogiaram o histórico de militância e capacidade técnica e política dos escolhidos.

Enquanto Cida Gonçalves já tem experiência em gestão pública, já que foi secretária Nacional do enfrentamento à violência contra mulher nos mandatos anteriores de Lula e Dilma, Anielle e Silvio têm trajetória calcada nos movimentos sociais e na carreira acadêmica.

— Celebramos a indicação do advogado e acadêmico Silvio Almeida como ministro de Direitos Humanos e da educadora e ativista Anielle Franco como Ministra da Igualdade Racial o governo Lula. Em um país impregnado de desigualdades sociais e violações de direitos humanos intimamente associadas ao racismo estrutural, sua liderança, experiência e conhecimento no tema são fundamentais para que sejam promovidas as mudanças necessárias para uma sociedade mais justa — afirmou Maria Laura Canineu, diretora da Human Rights Watch no Brasil.

 
Lucia Xavier3 

Coordenadora geral da ONG Criola, Lúcia Xavier reforçou a importância das nomeações para a comunidade negra.

— Foi uma alegria receber a notícia de que teremos nomes tão potentes para os ministérios de Igualdade Racial e de Direitos Humanos. Anielle vem ao longo dos últimos anos demonstrando uma capacidade política ímpar para compreender os problemas que vive a população negra, mas também para construção de estratégias políticas e soluções dos problemas que a gente enfrenta. Temos, então, uma jovem ministra negra, presente em um contexto político com muita garra, com muita coragem e sabedoria. Criola está à disposição de ambos para que juntos tenhamos mais conquistas para o nosso povo e para a sociedade — afirmou.

Já institutos de defesa de pautas feministas destacaram a experiência de Cida Gonçalves para o cargo, em um contexto de recente queda orçamentária nas políticas públicas voltadas para mulheres, em especial para os programas de combate à violência.

guacira oliveira cfemea— A nomeação de uma feminista, com larga trajetória no enfrentamento à violência contra as mulheres é muito importante. Aparecida Gonçalves tem experiência, compromisso político, competência, nos representa enquanto feministas antirracistas que somos. Ao nomeá-la, o presidente confirma que o enfrentamento às violências contra as mulheres na política, nas famílias, nas empresas, nas ruas, seja por machismo, etnocentrismo, racismo, LBTQIA+fobia, é uma prioridade — disse Guacira Oliveira, diretora do CFEMEA e ativista da Articulação de Mulheres Brasileiras.

 
 

Por outro lado, a ativista lembrou do número ainda pequeno de mulheres em posições de decisão dentro do governo.

— Uma pena que as mulheres ainda serão minoria no governo, poderia haver mais, não faltam nomes competentes e de liderança. Anielle e Cida são duas lideranças feministas e que mantêm laços com os movimentos sociais. A ligação que têm com os movimentos sociais serão fundamentais para o sucesso de ambas

Confira mais posicionamentos sobre as nomeações

Insituto Anis, organização feminista de promoção da cidadania, igualdade e os direitos humanos para mulheres e outros grupos vulnerabilizados:

"Celebramos a indicação de Cida Gonçalves, uma mulher com uma longa trajetória em defesa dos direitos das mulheres em nosso país. Sua vasta experiência no enfrentamento da violência contra a mulher certamente será fundamental para reconstrução de um projeto de sociedade mais justo, solidário e democrático. Não podemos esquecer que esta última gestão presidencial foi desastrosa: tanto se levarmos em consideração o desfinanciamento das políticas de proteção e cuidados às mulheres, mas também em razão do uso explícito do poder público para o incentivo ao armamento da população. Por isso esta deve ser uma agenda não só prioritária para o Ministério das Mulheres, mas também em diálogo com as agendas da Segurança Pública, Saúde e Direitos Humanos. 

Sabemos que mulheres e meninas sofrem violências em espaços que deveriam ser de cuidado e proteção como as suas casas. Mas também se tornam ainda mais vulneráveis à violência e morte a depender das camadas de precarização da vida prévias - mulheres negras, mulheres com deficiência, mulheres trans, mulheres idosas, mulheres em situação de rua são, por exemplo, populações que devem ser protegidas com prioridade absoluta. Será importante que esta gestão federal esteja movida pelas evidências e que priorize políticas que dialoguem diretamente com a vida cotidiana das mulheres. Então também estamos falando de trabalho, renda, cuidado e saúde sexual e reprodutiva. Temos certeza que a experiência profissional da futura Ministra lhe confere bases sólidas para consolidação de uma política para mulheres que tocará em todos esses temas de maneira sensível e com muito diálogo com os demais Ministérios".

Movimento Nacional de Direitos Humanos:

Movimento Nacional de Direitos Humanos recebeu muito bem a indicação do professor Silvio Almeida como ministro dos Direitos Humanos, em um país racista e com evidentes retrocessos nos últimos 4 anos, a luta antirracista do professor Silvio Almeida será fundamental na pasta do ministério.

Esperamos do futuro ministro a retomada do diálogo com respeito à autonomia das organizações da sociedade civil. O que vivenciamos neste governo que se encerra não foi uma dualidade de disputa do lugar de fala entre um governo autoritário e a militância de defensores de Direitos Humanos, foi um incentivo declarado ao ódio a grupos sociais e identitários, foi uma estratégia política de ataques à democracia e o cerceamento aos espaços de participação social.

Entendemos que o ministro Silvio Almeida verá ser fundamental a realização de um amplo diagnóstico, com a participação ativa da sociedade civil, para proposição de frentes estratégicas na retomada das pautas democráticas do ministério. É um novo momento para o Brasil e não existem Direitos Humanos sem democracia, participação social e transparência

 

fonte: https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2022/12/institutos-e-ongs-elogiam-nomeacoes-para-ministerios-da-mulher-igualdade-racial-e-direitos-humanos.ghtml

 


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