Quase lá: Marina Silva assume Meio Ambiente em condições distintas às de 2003

Entre os primeiros desafios de Marina Silva estão a contenção do desmatamento ilegal no país e a retomada do posto de referência ambiental

 


Hugo Barreto/Metrópoles

 

A ministra Marina Silva (Rede-SP) assume o comando do Ministério do Meio Ambiente, nesta quarta-feira (4/1), após 15 anos depois de ter ocupado pela primeira vez. A nova gestão tem como um de seus principais desafios desacelarar o desmatamento ilegal e recolocar o Brasil como referência na agenda ambiental mundial.

Professora, ex-seringueira, ex-senadora e deputada federal eleita, Marina Silva é reconhecida internacionalmente pelo seu trabalho no combate ao desmatamento na Amazônia e na defesa do desenvolvimento sustentável.

Nomeada pela primeira vez durante a primeira gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marina encontrará um ministério com entraves no combate ao desmatamento ilegal, grilagem de terras e o omissão na agenda climática internacional.

Com nomes como Ricardo Salles (PL) no comando do Meio Ambiente, o Brasil se esquivou de medidas importantes para a proteção das florestas brasileiras como a demarcação de terras indígenas e o controle da retirada de madeira extraídas de forma ilegal da Amazônia.

 

Com o aumento acentuado nas taxas de desmatamento no Brasil, o governo Jair Bolsonaro (PL) deixa como herança um afrouxamento na fiscalização de crimes ambientais e um desmonte dos órgãos de proteção ambiental como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Desafio internacional

Entre os entraves postos pela gestão Bolsonaro, está a falta de diálogo entre as autoridades ambientais brasileiras com líderes mundiais. Um dos principais atritos entre o ex-chefe do Executivo brasileiro aconteceu contra o presidente da França, Emmanuel Macron.

Em 2021, o presidente francês associou a produção de soja brasileira com o desmatamento no país. “Continuar a depender da soja brasileira seria endossar o desmatamento da Amazônia. Somos consistentes com as nossas ambições ecológicas, lutamos para produzir soja na Europa”, disse.

Em contrapartida, o então presidente brasileiro afirmou que Macron dá “pitaco” na política ambiental. “Não conhece nem seu país, fica dando pitaco aqui no Brasil. Essa é a politicalha deles”, disse, em transmissão ao vivo no Facebook.

Com isso, a ministra deverá recolocar o Brasil como um líder mundial no combate às mudanças climáticas e restabelecer a relação do país com financiadores de iniciativas como o Fundo Amazônia para ampliar a capacidade brasileira de proteção do meio ambiente.

Fundo Amazônia

Criado em 2008 durante a segunda gestão do governo Lula, o Fundo Amazônia tem como objetivo financiar iniciativas que busquem resultados de REDD+, redução de emissões de gases de efeito estufa provenientes do desmatamento e da degradação florestal.

Com financiamento da Alemanha, Noruega e ações da Petrobras, o Fundo Amazônia está paralisado desde 2019 quando o ex-presidente Bolsonaro encerrou os trabalhos do Comitê Orientador (COFA) e do Comitê Técnico (CTFA), bases dos investimentos.

Com a volta do presidente Lula ao poder, a ministra Marina Silva anunciou que voltará com o Fundo Amazônia para que o próximo governo tenha “aporte de recursos fortalecendo os órgãos de gestão, como é o caso do ICMBio, os órgãos de fiscalização, Ibama, e os órgãos de monitoramento, como o Inpe”.

Saída conturbada do governo Lula

Em 2008, Marina Silva deixou o cargo de ministra do Meio Ambiente com desentendimento entre o presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores. “Crescentes resistências junto a setores importantes do governo”, relatou a chefe da pasta em seu pedido de demissão.

Com histórico de discordâncias entre questões importantes para proteção do meio ambiente, como a concessão de licenças para obras e o Plano Amazônia Sustentável (PAS), a ministra foi colocada como um entrave para o desenvolvimento econômico no país por apoiadores do petista na época.

Até então filiada ao PT, ela, inclusive, deixou a legenda por conta das desavenças. Posteriormente, participou da criação do partido Rede Sustentabilidade.

Apesar das desavenças, Marina Silva foi um importante nome para a eleição de Lula em 2022. Como um nome prestigiado na questão climática, a ministra do Meio Ambiente participou ativamente de comícios e reuniões com a equipe do petista.

 

fonte: https://www.metropoles.com/brasil/meio-ambiente-brasil/marina-silva-assume-meio-ambiente-em-condicoes-distintas-as-de-2003

 


Matérias Publicadas por Data

Artigos do CFEMEA

Coloque seu email em nossa lista

lia zanotta4
CLIQUE E LEIA:

Lia Zanotta

A maternidade desejada é a única possibilidade de aquietar corações e mentes. A maternidade desejada depende de circunstâncias e momentos e se dá entre possibilidades e impossibilidades. Como num mundo onde se afirmam a igualdade de direitos de gênero e raça quer-se impor a maternidade obrigatória às mulheres?

ivone gebara religiosas pelos direitos

Nesses tempos de mares conturbados não há calmaria, não há possibilidade de se esconder dos conflitos, de não cair nos abismos das acusações e divisões sobretudo frente a certos problemas que a vida insiste em nos apresentar. O diálogo, a compreensão mútua, a solidariedade real, o amor ao próximo correm o risco de se tornarem palavras vazias sobretudo na boca dos que se julgam seus representantes.

Violência contra as mulheres em dados

Cfemea Perfil Parlamentar

Direitos Sexuais e Reprodutivos

logo ulf4

Logomarca NPNM

Cfemea Perfil Parlamentar

Informe sobre o monitoramento do Congresso Nacional maio-junho 2023

legalizar aborto

...