Dicionário Marielle Franco aborda uma articulação de mães em busca de justiça para seus filhos assassinados nas favelas. Elas denunciam a militarização dos territórios – e somam-se às lutas de outros povos contra o apartheid no Sul global

 

OUTRASPALAVRAS

Publicado 19/07/2023 às 17:43 

Foto retirada do rioonwatch

Há mais de 100 anos, surgiram as favelas no Rio de Janeiro. Historicamente, elas sofrem com a estigmatização, com a falta de direitos básicos, com o crescente aumento da violência policial e com o racismo cotidiano. Desde sempre esses grupos que sobrevivem nas favelas e periferias do Rio se mobilizam em luta por melhorias internas, eles buscam direitos, políticas públicas e visibilidade para os projetos desenvolvidos em seus devidos territórios favelados e periféricos.

Mas é recente que os movimentos de favelas passaram a ser reconhecidos enquanto movimentos organizados, pois até isso, dentro do Rio, é estigmatizado, mesmo sendo nas favelas e periferias onde estão os maiores grupos organizados de luta por memória, educação popular e comunitária, comunicação comunitária e tantas outras lutas. Um destes grupos são os movimentos de mães e familiares do Rio; elas formam seus grupos porque em algum momento perderam seus filhos ou parentes por causa da violência policial.

Estes grupos de mães se encontram e tornam suas dores lutas por memória e justiça. Há quase dez anos, grupos de mães e familiares do Rio de Janeiro junto aos movimentos de favelas que pautam o fim da violência policial e o racismo, organizaram a Articulação Internacional Julho Negro. As atividades realizadas são durante todo o mês de julho, quando ocorrem inúmeros debates relacionados ao cotidiano da favela e da periferia.

Ao passar dos anos, esta articulação passou a ganhar outros rumos, lideranças de movimentos de diversos países do Sul global passaram a integrar as mesas de debates e as trocas de conversas. E, com isso, para além dos debates, lutas conjuntas são tiradas nestes eventos do Julho Negro e outras ações de solidariedade são realizadas ao longo dos anos. Durante estes oito anos, já participaram palestinos, indianos, mexicanos, argentinos, sul-africanos e outros. Muitas semelhanças encontradas e muitas conexões já foram feitas ao longo desse período. Para tanto, neste artigo, destacamos o verbete da comunicadora mafrense e pesquisadora do Dicionário de Favelas Marielle Franco, Gizele Martins, “Julho Negro: articulação internacional luta contra a militarização, o racismo e o apartheid no sul global”, que remonta um pouco da história e da internacionalização dos movimentos negros na luta contra as violações de Estado. (Introdução: Equipe do Dicionário de Favelas Marielle Franco)

Julho Negro: articulação internacional luta contra a militarização, o racismo e o apartheid no Sul global

Em julho de 2016 se iniciava o Julho Negro, uma articulação internacional contra a militarização, o racismo e o apartheid no mundo, organizada por movimentos de mães e familiares vítimas da violência estatal e por movimentos de favelas e periferias e negro do Rio de Janeiro, no Brasil.

O primeiro ano teve a presença de uma norte-americana, ela teve o sobrinho assassinado pela polícia militar enquanto passava as férias no Rio de Janeiro. Ao procurar por justiça pelo caso de seu sobrinho, ela encontrou e se identificou com a luta da Rede de Comunidades e de Familiares contra a Violênciamovimento de mães e familiares vítimas da histórica violência policial do Rio de Janeiro.

No primeiro ano, ela esteve no Rio e foi realizado um ato contra a violência policial no maior cartão-postal da dita cidade maravilhosa, no Cristo Redentor. Ao passar dos anos, a articulação passou a ser feita junto a outros movimentos, diversas outras temáticas foram sendo acrescentadas e pautadas. As atividades presenciais ou online ocorrem sempre no mês de julho e na semana de memória da Chacina da Candelária.

O maior objetivo do Julho Negro é internacionalizar as lutas, denunciar as dores de quem sofre com a violação dos direitos humanos e somar forças contra aquelas que oprimem e matam em países que sofrem com o colonialismo, o racismo e qualquer outro tipo de opressão. Um ganho desta importante articulação que completa oito anos neste ano de 2023, é a conexão dos movimentos e lutas locais do Brasil com movimentos, coletivos e organizações que lutam contra temáticas parecidas ao redor do mundo.

Nos parágrafos abaixo, trazemos relatos e a memória das sete últimas edições do Julho Negro, todas foram realizadas dentro das favelas e periferias do Rio. Ao passar do tempo, com a mudança das necessidades e das ausência de políticas públicas dentro das favelas e periferias, as temáticas passaram a ser não só em relação a violência policial, mas também foram debatidos temas como: falta d’água, direito à saúde pública, saneamento básico, insegurança alimentar, dentre outros assuntos referentes à vida cotidiana dos favelados e periféricos, mas também de outros povos aos redor do mundo.

Memória de luta não se apaga: oito anos de realização Julho Negro

O genocídio do povo negro e dos povos originários se dá de diversas formas no Brasil, entre elas com o crime de tortura, seja ela física e/ou psicológica, majoritariamente em locais empobrecidos e dentro de espaços de privação de liberdade. Tais práticas foram institucionalizadas pela supremacia branca, mantendo-se como um instrumento de poder. Por isso, as pautas dos Julho Negro têm sempre como base as lutas cotidianas das favelas e periferias do Rio, na ideia de conectar tais lutas com as de outros povos empobrecidos pela colonização e o capitalismo no mundo.

Em 2016, a primeira atividade foi pensada e organizada na sede da Rede de Comunidades e Familiares contra a Violência do Estado. Patrícia Oliveira, irmã de um dos sobreviventes da Chacina da Candelária, fundadora e uma das organizadoras da atividade, lembra o episódio: o Julho Negro se inicia no ano de 2016 com a presença do movimento dos Estados Unidos, Black Lives Matter. Em 2016, também foi realizada uma coletiva de imprensa e foi relançada a histórica Campanha contra o Caveirão.

Já no segundo ano, em 2017, os integrantes do Julho Negro avaliam que a articulação teve um crescimento muito rápido, o que era inicialmente algo entre conexão entre Brasil e Estados Unidos, virou Brasil, Haiti, Estados Unidos, Palestina e, assim, foi o crescimento de conexão. Segundo Mônica Cunha, fundadora do Movimento Moleque e hoje vereadora do município do Rio de Janeiro, “é sempre uma semana de atividade, é por empoderamento, nós trazemos várias discussões e aprendizagens. A gente ocupa e percorre espaços públicos da favela e dos movimentos sociais, nas universidades, todos nós em uma só pauta que é o de combate ao racismo”.

No terceiro ano, em 2018, a pauta passou a ser também a da resistência e da solidariedade, chamando atenção de como as lutas são muito parecidas e, por isso, tamanha conexão. A programação de 2018 teve apoio do Movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), grupo palestino que luta contra o apartheid israelense. Nessa ocasião, foram convidadas mais de 20 pessoas de diferentes movimentos, coletivos e organizações de diversos países do sul global.

Parte da programação foi realizada na favela da Maré e no Alemão, ambas localizadas na zona norte do Rio e outros debates foram realizados na na zona Oeste em assentamentos do Movimento Rural sem Terra (MST). Algo marcante e que encheu o auditório da Faculdade Nacional de Direitos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi a realização do Tribunal Popular contra a Militarização israelense.

Este dia começou com uma palestra de abertura sobre o impacto global do aumento da militarização em comunidades oprimidas, destacando particularmente o alcance internacional da indústria de armas baseada em Israel, dos Estados Unidos ao Brasil e à América Central. O tema do segundo painel reuniu ativistas do México, Honduras, Chile e Colômbia para falar sobre resistência à militarização e ao racismo em suas próprias comunidades e como sua luta se relaciona com a ocupação da Palestina.

No ano seguinte, em 2019, a programação ficou dividida em três dias. Foi discutido o aumento da militarização no campo, nos terreiros e na cidade. Desta vez, os grupos e movimentos organizadores resolveram pautar a questão de gênero e, também, sobre a importância do atendimento psíquico aos grupos que sofrem com impactos da violência policial. Houve rodas de conversas no Museu da Maré sobre: a população LGBTQ+, além do debate com a juventude sobre política de combate às drogas e outra mesa sobre mulheres negras. E o evento foi fechado com um debate público chamado de Tenda da Resistência, no Largo da Carioca, Centro do Rio de Janeiro.

Infelizmente, em 2020, no quinto ano do Julho Negro, as atividades e os encontros não puderem ser presenciais por causa da pandemia da covid-19 que impactou o mundo. A partir das diversas faltas de direitos que as favelas estavam vivenciando e sofrendo em 2020 por causa do aumento no número de pessoas infectadas e mortas, foram acrescentadas as pautas sobre saúde pública, acesso à água, fome e insegurança alimentar, direito à moradia, dentre outros problemas que estavam em grande destaque naquele triste e pesado período.

Neste ano, a programação foi toda online e contou com a presença de diversos grupos do Sul global que estavam sofrendo não só com a militarização, mas também com as mais diversas faltas de direitos básicos para a garantia do direito à vida. Foram debatidos a falta de acesso à água nos países como Palestina, África do Sul e em outros territórios empobrecidos em países como Brasil, Colômbia, México, dentre outros. Muitas destas lives podem ser encontradas, inclusive, no Youtube. Neste ano, puderam ser percebidas muitas semelhanças nas faltas de direitos humanos para além dos temas sobre militarização, para além das forças bélicas e racistas que controlam e matam.

Trazendo mais um pouco sobre o histórico deste movimento que nasceu nas favelas e periferias do Rio de Janeiro e que conseguiu se conectar com defensores de direitos e lideranças políticas de várias partes do mundo, no ano de 2021, ainda no auge na pandemia da covid-19, os integrantes do Julho Negro decidiram continuar com as atividades e voltar com os temas que atingem as populações pobres no Sul global. Mais uma vez, palestinos participaram das lives, colombianos, mexicanos e os povos Mapuches, do Chile. Nestas lives, foram trazidas questões como: o combate à tortura; os ataques às religião de matriz africana; o apartheid da vacina nos territórios palestinos e a falta do direito à vacina no Brasil.

Passados quase dois anos do início da pandemia da covid-19 no mundo e com a aplicação da vacina, o sétimo Julho Negro foi realizado presencialmente. Uma das trocas de conversas foi feita no novo espaço ocupado pelos comunicadores comunitários da Maré, a Cozinha Solidária da Frente Maré, espaço importante que nasceu durante os piores momentos da pandemia e que abriu as portas para atender pessoas em total vulnerabilidade alimentar e econômica.

Neste espaço da Cozinha Solidária da Frente Maré, mais uma vez, o Julho Negro se propôs a debater “Mulheres na Luta contra o Cárcere e as Polícias” e se desdobrou até mesmo para debates acerca do cenário político atual do Brasil, resgatando acontecimentos e memórias de outros períodos políticos, e posicionamentos sobre as eleições de outubro.

Durante esta roda de conversas realizada no ano de 2022, a fala da Patrícia, irmã de um dos sobreviventes da chacina da candelária, trouxe um momento de reflexão que mostra a importância destes encontros realizados uma vez ao ano; ela mencionou que: “A gente está vendo mais ainda as nossas pautas serem levantadas por outras pessoas”, avaliou, e completou que esses debates que impactam nossas vidas, sendo falados e analisados por nós mesmos, fazem a gente avançar e buscar novas linhas conjuntas de lutas coletivas”.

Como parte da internacionalização das lutas, integrantes do Julho Negro passaram a percorrer, durante estes anos, alguns destes territórios que são convidados a estar nas lives ou encontros presenciais da programação. O objetivo é conhecer outras realidades, aprender novos formatos de incidência política e sempre organizar e tirar ações conjuntas. Alguns já foram para a Colômbia, México, Equador e outros países que sofrem com a militarização e o racismo. Agora, em 2023, quando completa a oitava edição do Julho Negro, duas integrantes e fundadoras tiveram a oportunidade de ir até a Palestina conhecer a realidade local e transformar essa troca em luta conjunta. Além do movimento de mães e familiares e de favelas Rio, movimentos periféricos, negros e indígenas da América do Sul foram à atividade realizada pelos movimentos palestinos.

Ao todo, sete delegados e delegadas de movimentos favelados, periféricos, negros e indígenas de Brasil, Colômbia e Equador chegaram à Palestina para conhecer a realidade do apartheid, colonialismo e ocupação militar israelense. A delegação se encontrou com comunidades palestinas em luta, compartilhando experiências de organização e mobilização.

Entre os movimentos representados na delegação que foi à Palestina estão o Movimento Negro Unificado (MNU), a Rede Nacional de Mães e Familiares de Vítimas do Terrorismo de Estado, a Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência, a articulação internacional Julho Negro do Rio de Janeiro, a Frente de Evangélicos pela Direita Estatal e a Coalizão de Mídias Periféricas, Faveladas, Quilombolas e Indígenas no Brasil, bem como a Confederação de Povos da Nacionalidad Kichwa no Equador (ECUARUNARI) e o Processo de Comunidades Negras (PCN) na Colômbia.

No primeiro dia, palestinos e palestinas receberam o grupo e foram feitas visitas às casas de pessoas que estão sofrendo ameaças de despejos por parte do Estado israelense. Depois, foram feitas visitas aos centros comunitários que atendem crianças palestinas que precisam conviver com os traumas de muitas delas que já foram presas. Segundo os palestinos, crianças palestinas a partir de cinco anos já são presas pelo exército israelense. Nesta ocasião, o grupo ouviu o depoimento de um jovem palestino de 23 anos que já foi preso 33 vezes só por ser palestino.

Foi uma semana de inúmeras atividades na Palestina, a cada dia três encontros eram feitos com grupos palestinos em diferentes territórios da Cisjordânia. A delegação passou por Haifa, Jerusalém, Campo de Refugiados de Aida, em Belém, Vale do Jordão e outros espaços de vida e luta palestina. Foi feita conversa com beduínos, com organizações palestinas que tentam lidar com as violações cotidianas por conta do apartheid cometido por israel. Relatos sobre a falta de água, de energia, de acesso a comida, de circulação, de despejo e invasão e tomada de casas, ruas e até cidades completas por israelenses, eram comuns ouvir dos palestinos.

Em Jerusalém, foi visitado o espaço onde atuam os jovens negros palestinos. Lá, um dos palestinos negros e mais velho disse: “Nossos ancestrais vieram do Quênia e vieram para a Palestina. Chegando na Palestina, eles foram bem recebidos pela população local que já vivia ali há milênios de anos. Meu povo nunca sofreu racismo por parte dos palestinos que aqui já viviam, pelo contrário, meu povo, nas gerações passadas, foi muito bem recebido e acolhido pelo povo palestino”, contou. Ele disse ainda: “Tenho a certeza, assim como sua pele é negra, que um dia a Palestina será livre. Se eu não tiver o privilégio de ver isso, os meus netos que vivem em outra comunidade palestina irão ver essa vitória do meu povo palestino”.

A visita aos territórios palestinos foi importante para ouvir os depoimentos e ver o que o povo Palestino sofre, entender que eles são um grande laboratório de uma política que impacta também a vida das pessoas negras, pobres, indígenas, quilombolas, faveladas e periféricas em toda a América Latina e no mundo.

Na delegação, teve a presença do histórico Movimento Negro Unificado (MNU), grupo que há décadas apoia a luta contra o racismo que os palestinos sofrem em seus territórios. Cristiana Dos Santos Luiz disse: “Os direitos humanos da população palestina seguem sendo violados pelo Estado israelense. O mundo está fechando os olhos, precisamos da comunidade internacional e dos movimentos ao redor do mundo pautando a luta palestina. Nosso objetivo foi trocar experiências e transformar esses encontros em solidariedade concreta com o povo palestino e construir laços duradouros entre o povo palestino e nossas lutas locais”.

Fernando Cabascango de Confederação de Povos da Nacionalidad Kichwa no Equador (Ecuarunari) comentou: “Demandamos a nossos governos que tomem ação concreta para responsabilizar o regime de apartheid de Israel, começando com um embargo militar imediato. Pedimos que apoiem ativamente o chamado palestino para que as Nações Unidas reconheçam que Israel comete o crime contra a humanidade de apartheid e que reativem o Comitê Especial da ONU contra o Apartheid.”

Jamal Juma, coordenador da Campanha Stop the Wall diz: “O regime de apartheid de Israel, a conquista de nossa terra e a limpeza étnica do povo indígena palestino é uma prática enraizada no colonialismo europeu. Sentimos, portanto, um profundo vínculo com a luta dos povos negros e indígenas contra o racismo estrutural, o roubo de terras e o genocídio hoje na América Latina. “Estamos honrados em receber esta delegação e somos confiantes de que esta união não apenas apoiará nossa luta contra o apartheid israelense, mas também fortalecerá nossa luta coletiva por justiça, liberdade e igualdade.”

A delegação também vai focar no apoio concreto que o apartheid israelense dá à repressão e expropriação de negros, indígenas e favelados, seja por meio da tecnologia militar e de vigilância que exporta para a América Latina ou por meio da tecnologia do agronegócio, que apoia a privatização e o roubo de recursos naturais.

A participação do Julho Negro nesta delegação que acabou de voltar da Palestina com certeza vai influenciar nas próximas lutas conjuntas que os movimentos de mães e de favelas do Rio tem como proposta não só para os desbastes durante as programações do futuros Julho Negro, mas propostas conjuntas de lutas contra as forças bélicas, os aparatos militares desenvolvidos por Israel e testados nos corpos palestinos.

Afinal, são estes equipamentos e armas que são vendidos para o governo brasileiro e outros governos da América Latina. No final, os objetivos deles são os mesmos, o de controlar vidas negras, pobres, indígenas e palestinas. Por isso, o maior objetivo do Julho Negro é o de conectar lutas, porque se eles internacionalizam a militarização contra o racismo, a militarização e o apartheids, é papel dos povos oprimidos em qualquer lugar do mundo internacionalizar a luta pela vida e contra os Estados que controlam e matam.




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