Nos últimos dias, os territórios negros do Alto da Pombas e Calabar, localizados próximos à bairros nobres de Salvador, estão sendo palco do confronto armado que envolve a disputa de poder entre facções criminosas rivais e a Polícia Militar do Estado da Bahia.

 

 

Embora também ocorram altos índices de apreensão de entorpecentes em bairros nobres – onde reside a população branca, são nos bairros negros onde a Polícia Militar assume a sua versão mais truculenta e mais autoritária. Sob o falso argumento de “guerra às drogas”, a Polícia Militar do Estado da Bahia empreende uma guerra contra os territórios negros ao conduzir estratégias de combate ao chamado “crime organizado”, focadas exclusivamente na intensificação da repressão policial nesses locais. Essa escolha política representa um custo elevado em termos de vidas ceifadas e de orçamento público. Além disso, não expressa resultados satisfatórios do ponto de vista da redução dos índices de criminalidade e do aumento da segurança da população. Pelo contrário, o resultado tem sido o aumento do potencial bélico e controle das facções sobre os territórios, a ação truculenta da polícia, e sobretudo, a matança de pessoas negras.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2022), a Bahia ocupa o primeiro lugar no ranking de letalidade em decorrência de ações policiais em 2022. A Bahia responde a 22,77% da letalidade policial do país. O estudo “Pele alvo: a cor que a polícia apaga”, da “Iniciativa Negra por uma nova política de drogas”, afirma que 100% das mortes causadas por policiais, notificadas em 2022, eram de pessoas negras. Em Salvador, das 299 pessoas mortas pela polícia em 2022, apenas uma era branca. O estudo reforça que o racismo orienta as práticas da chamada “segurança pública”.

Em reportagem recente (30/08), o Jornal A Tarde afirmou que a violência na cidade se intensificou recentemente, com a articulação entre os grupos criminosos locais com grupos criminosos do eixo Rio – São Paulo, cujo modus operandi é caracterizado por ações de intimidação que põem em risco a vida dos moradores locais, a exemplo de fazer ameaças, manter reféns e se apossar de moradias. Essa dinâmica se opõe às demandas e aos interesses dos moradores locais, que tem sua cidadania e dignidade violentadas.

Desde a última sexta-feira (01/09), quando o conflito se intensificou, foram contabilizadas 7 pessoas mortas, 8 presas. As escolas, organizações comunitárias e estabelecimentos comerciais do Alto das Pombas, Calabar e seu entorno estão fechados. A Universidade Federal da Bahia (UFBA) também divulgou um comunicado suspendendo suas atividades na segunda-feira.

Enquanto o poder público aposta na violência sobre os territórios negros, ignora demandas históricas dessas comunidades, a exemplo das reivindicações por mais escolas públicas, para atender crianças e jovens em idade escolar; da necessidade de manutenção e ampliação dos postos de saúde; a garantia de empregos, dentre outras.

O silêncio constrangedor das organizações e movimentos populares do campo da esquerda diante da matança de pessoas negras orquestrada pelo Governo do Estado da Bahia evidencia a gravidade dos desafios que se coloca para o avanço da luta popular na atualidade.

É necessário uma ampla pressão dos setores organizados para denunciar as arbitrariedades da Polícia, cobrar o Governo do Estado para que tome medidas eficientes que acima de tudo respeitem os direitos humanos e reconheça a necessidade de políticas sociais como central para revólver o problema da violência. O povo quer paz e justiça! Basta de violência!


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