Abaixo assinado. Há nove meses as mulheres no Irã incessantemente reivindicam o direito à vida e pedem liberdade para não precisarem cobrir a cabeça com o véu. Elas enfrentam risco de morte, prisão, torturas e enfrentam uma polícia truculenta pela liberdade.

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A importância deste abaixo-assinado

 

Há nove meses as mulheres no Irã incessantemente reivindicam o direito à vida e pedem liberdade para não precisarem cobrir a cabeça com o véu. Elas enfrentam risco de morte, prisão, torturas e enfrentam uma polícia truculenta pela liberdade.

Se nada for feito e as pessoas ficarem de braços cruzados, as mulheres iranianas estarão em perigo de vida, pois elas não querem mais usar véu, sentindo-se discriminadas e coagidas. É preciso que se tome uma providência agora, pois este é o momento mais adequado para apoiarmos as corajosas meninas e mulheres no Irã.

Por meio deste abaixo-assinado, nós, o povo brasileiro, pedimos ao Senhor Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, bem como aos demais membros do governo brasileiro, que intervenham com a diplomacia que deve ser sustentáculo da promoção dos direitos humanos no mundo, para conversarem, e pedirem que o governo iraniano decrete o fim da obrigatoriedade do véu para mulheres, adote uma política de igualdade entre os sexos e conceda anistia às(aos) feministas iranianas(os) que estejam presas(os) por protestar contra o véu obrigatório, especialmente aquelas(es) com risco de enfrentarem condenação à pena de morte.

Dados os laços culturais, econômicos e políticos entre ambos os países, Irã e Brasil, pedimos que o Presidente Lula cumpra com seu dever de mediação em prol dos direitos humanos no mundo, conversando com amizade e diplomacia com o governo iraniano. Assim, escrevemos e assinamos a carta a seguir:

 

Rio de Janeiro, 5 de julho de 2023.

A/C de Sua Excelência, Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da República Federativa do Brasil, Sua Excelência, o Vice-Presidente Geraldo Alckmin, bem como às/aos ministras(os) Simone Tebet (Ministério do Planejamento e Orçamento), Mauro Vieira (Ministério das Relações Exteriores do Brasil), Fernando Haddad (Ministério da Fazenda), Marina Silva (Ministério do Meio Ambiente), Aparecida Gonçalves (Ministério das Mulheres), Juscelino Filho (Ministério das Comunicações), Margareth Menezes (Ministério da Cultura), José Múcio Monteiro (Ministério da Defesa), Silvio Almeida (Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania), Camilo Santana (Ministério da Educação), Esther Dweck (Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos), Flávio Dino (Ministério da Justiça e Segurança Pública), Nísia Trindade (Ministério da Saúde) e Daniela Carneiro (Ministério do Turismo): 

Por meio desta carta e desta petição, pedimos a Vossas Excelências que se compadeçam da situação desumana que as mulheres iranianas estão enfrentando com coragem, em sua luta pelo fim do véu obrigatório.

Desde o início do feminismo no Irã, sempre foi importante para as iranianas o fim da obrigatoriedade de cobrir a cabeça com o véu (hijab), pois o véu obrigatório, signo de submissão, simboliza para elas a discriminação contra mulheres, violentando sua vontade.

Táhirih, grande teóloga feminista iraniana do século XIX, foi condenada à morte por haver retirado o véu em público. As feministas Mohtaran Eskandari, dos anos 1920 e Shirin Ebadi, juíza nos anos 1970, lideraram movimentos contra o véu obrigatório, mas mesmo assim o direito à liberdade de vestimenta acabou em 1980, quando as mulheres passaram a ser presas e até mortas por estarem sem véu ou com o véu caído e parte do cabelo aparecendo. Dra. Nasrin Sotoudeh, advogada, está até hoje presa: pedimos também que peçam anistia para ela.

Uma das jovens mortas por não usar véu foi Mahsa Jina Amini, de 22 anos, levada pela Polícia da Moralidade e, segundo testemunhas, espancada até a morte. Depois da morte da jovem, em setembro de 2022, toda a população iraniana, mulheres e homens, adultas(os) e crianças, tem se manifestado em protestos feministas cujo lema é “Mulher, Vida, Liberdade!”, ou seja, direitos da mulher, direito à vida (muitas mulheres são condenadas à morte por adultério, até mesmo apedrejadas) e o direito à liberdade, pois enquanto as mulheres iranianas, que são cultas e bem-educadas, não puderem deixar os cabelos ao vento, sentir-se-ão discriminadas e violentadas.

Destarte, pedimos a intervenção pacífica de Vossas Excelências junto às autoridades e figuras-chave na política iraniana, pois o governo brasileiro é por tradição defensor dos direitos humanos, visto a intervenção em prol da criação de Israel em 1948, a mediação da questão nuclear que envolveu conflitos entre Irã e outros países em 2010 e o oferecimento de refúgio feito pelo Presidente Lula a Sakhineh Mohammad, presa na época, negociado com o então presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad.

Paz sem direitos das mulheres não é paz, mas opressão. O povo brasileiro reitera o pedido que o Presidente Lula e a diplomacia brasileira conversem com o Irã, especialmente com o Aiatolá Khamenei e com o Presidente Ebrahim Raisi, mas também com toda e qualquer personalidade política de relevância que possa ajudar na questão. Sugerimos, como tática de convencimento, acordos comerciais e diplomáticos, bem como incentivos educacionais de ordem internacional em torno dos direitos humanos, para garantir a liberdade das mulheres iranianas, pois então ambas as nações se ajudariam mutuamente.

Centenas de pessoas no Irã já morreram pelos direitos das mulheres. Hadis Najafi, de 20 anos e as meninas de 16 anos Nika Shakarami e Sarina Esmailzadeh deram suas vidas pela liberdade das mulheres. Honrem essas mártires e peçam ao governo do Irã que torne o sonho dessas meninas realidade. As mulheres iranianas querem ser livres.


Pela causa divina e feminista de “Mulher, Vida, Liberdade!”,

Agradecemos antecipadamente a Vossas Excelências pela intervenção diplomática.

Assinado,

O Povo Brasileiro.

https://movimentomulhervidaliberdade.wordpress.com/2023/07/07/peticao-pelas-mulheres-no-ira/


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