Dividida em 15 episódios, com um tempo total de quatro horas, a série fala sobre a vida e a obra da militante marxista

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

 

“Eu queria entender o mundo, isso foi o que me levou para o marxismo”, afirmou Vânia - Foto: Rubens Lopes

 

A vida e a obra da marxista Vânia Bambirra é tema da série documental “Vânia: a história de uma revolucionária”, publicada no YouTube no início deste mês por docentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 

O trabalho é fruto de uma pesquisa realizada por aproximadamente dez anos pelos professores Carla Ferreira e Mathias Seibel, que conceberam, dirigiram e realizaram o documentário. Ambos são coordenadores do Memorial-Arquivo Vânia Bambirra

“Gostamos de pensar neste trabalho artesanal que ocupou dez anos de nossas vidas do mesmo modo como as fadistas se referem ao fado. Dizem elas que o fado é uma tradição compartilhada. As novas gerações fazem suas as antigas canções. Rendem tributo aos seus mestres, reinventando novas letras para arranjos já conhecidos. O fazem pela prática persistente, buscando a perfeição”, afirmam os docentes. 

“Neste compartilhar de uma memória comum, reside uma verdadeira tradição. E sua autenticidade. Como as fadistas, só o que almejamos é cumprir nossa missão e compromisso com nossa tradição. Oxalá tenhamos sido exitosos neste desígnio”, dizem. 

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Dividida em 15 episódios, com um tempo total de quatro horas, a série conta a história da militante que nasceu em Belo Horizonte no ano de 1940. Vânia foi militante revolucionária e teórica fundadora da Teoria Marxista da Dependência junto a Ruy Mauro Marini e Theotonio dos Santos, tornando-se uma das mais brilhantes intelectuais brasileiras e latino-americanas do século 20 e início do 21. 

Perseguida pela ditadura militar, viveu dois exílios: no Chile entre 1966 e 1973 e no México entre 1974 e 1979. Foi professora e pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB), da Universidad de Chile/Centro de Estudios Socioeconómicos (Ceso) e da Universidad Nacional Autónoma de México (Unam).  

Além da vida acadêmica, teve uma importante participação como militante e dirigente política na Organização Revolucionária Marxista Política Operária (Polop) de 1961 a 1966, nas Ligas Camponesas e no Partido Democrático Trabalhista (PDT), do qual participou desde sua fundação em 1979, com Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, até o ano 2000. 

A volta do exílio, com Theotonio dos Santos e Herbert de Souza (Betinho). São Paulo, aeroporto de Congonhas, 15 de setembro de 1979
A volta do exílio, com Theotonio dos Santos e Herbert de Souza (Betinho). São Paulo, aeroporto de Congonhas, 15 de setembro de 1979

Na série, a vida da militante é retratada começando com as origens familiares e seu encontro com o marxismo. Passando pelo exílio no México, sua relação com Cuba, a sua dedicação na pauta da emancipação da mulher, sua volta ao país após a anistia. O último episódio traz depoimentos de antigos companheiros, colegas pesquisadores, amigos. 

Ainda no episódio, próxima de seus 80 anos, em uma de suas últimas imagens, ela fala do futuro da humanidade. E deixa uma mensagem às novas gerações: embora o capitalismo esteja acabando com o mundo, o mundo não há de acabar sendo capitalista. Pois, com o conhecimento e a cultura acumulados, está nas mãos das novas gerações mostrar que a realidade é movimento e mudança, ao contrário dos que acreditam que a história acabou. 

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Segundo os professores Carla e Mathias, a série tem o objetivo de oferecer à comunidade, aos professores do ensino médio e superior, aos movimentos da sociedade civil e ao público em geral o resgate do protagonismo de Vânia Bambirra, que é referência do pensamento crítico brasileiro e latino-americano.  

Igualmente, afirmam que a série faz uma contundente denúncia da violência dos regimes de terror de Estado implantado pelas ditaduras empresariais-militares. O documentário deixa, assim, uma mensagem clara em defesa de uma democracia substantiva, em defesa da vida e de uma mudança social estrutural. 

O Memorial-Arquivo Vânia Bambirra nasceu da doação efetuada por Vânia Bambirra de seu acervo aos historiadores e amigos da autora, Carla Ferreira e Mathias Seibel, em 2013. A partir de então, a obra da autora passou por processo de higienização, conservação, organização, categorização e digitalização realizados e supervisionados diretamente por eles.  

O acervo físico, inicialmente organizado com apoio do Núcleo de Pesquisa em História (NPH) e do Instituto Latino-Americano de Estudos Avançados, vinculados ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, está hoje em sala exclusiva no Campus Praia Vermelha da UFRJ. O Portal internet do Memorial-Arquivo Vânia Bambirra é coordenado pela professora Carla Ferreira por meio do Laboratório de Estudos sobre Marx e Teoria Marxista da Dependência (Lemarx-TMD/ESS-UFRJ), com apoio institucional do NPH/Ufrgs, que oferece o servidor para a sua hospedagem. 

MEMORIAL VÂNIA BAMBIRRA

Ficha técnica:

Direção, Concepção e Pesquisa: Carla Ferreira e Mathias Seibel 

Roteiro: Mathias Seibel 

Produção executiva: Carla Ferreira 

Direção musical: Mathias Seibel 

Montagem e edição: Temis Nicolaidis e Paola Mallmann 

Select: Lucas Pitta Klein e Henrique Maffei 

Câmera: Henrique Maffei (Porto Alegre, Rio de Janeiro, Chile) | Airton Silva (Rio de Janeiro) | Carla Ferreira (Rio de Janeiro)| Mathias Seibel (Brasília, São Paulo, México, Cuba e Panamá)| Lucas Pitta Klein (Porto Alegre) 

Narração: Nádia Bambirra dos Santos 

Finalização de imagem e cor: Billy Valdez 

Finalização de som: Gustavo Türck 

Coordenação de Pós-Produção: Carla Ferreira 

Apoio: Coletivo Catarse 

Edição: Rodrigo Chagas

fonte: https://www.brasildefato.com.br/2023/10/13/vania-bambirra-fundadora-da-teoria-marxista-da-dependencia-e-tema-de-serie-documental-disponivel-no-youtube

 


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