15º Encontro Feminista Latinoamericano e do Caribe - EFLAC começou hoje em El Salvador com mais de 1.600 feministas de 29 países. Estamos presentes!

PRIMEIRO DIA

 

 

 

Com mais de 113 atividades autoconvocadas, 12 assembleias temáticas programáticas e 3 componentes com temas que se cruzam, gerando conversas e ações que vão desde emergentes até direitos indígenas e liberdade de mídia. Há muito o que discutir e compartilhar a partir das experiências de cada uma neste espaço que é de todas/es.

 

 

Mesmo que você não  esteja inscrita ou seja uma das mais de 1.600 participantes de 29 países presentes este ano, você poderá acompanhar as principais conversas que estarão disponíveis para você participar e repetir, principalmente as cerimônias de abertura e encerramento, no canal do YouTube e em nossas contas do Facebook e Instagram.

Você pode participar da conversa com #15Eflac. Em particular, queremos reservar um momento para agradecer a cada pessoa pelos seus esforços para tornar possível a sua participação; redes, coletivos, associações, espaços de articulação feminista, mídia e todas as expressões do nosso amplo movimento.

Obrigada! Propostas e transformações surgiram de nossas EFLACs que mobilizam nossa região e o mundo inteiro, em uma EFLAC que nasceu em 25 de novembro, como um dia global, para mobilizar e exigir a erradicação da violência contra as mulheres, noutro instalamos a reivindicação global pela descriminalização do aborto e em cada um contribuímos com elementos conceptuais e campanhas concretas para instalar o feminismo antirracista, anti-transfóbico agenda, anticapitalista no debate público e como uma reivindicação dos governos. A pandemia sem dúvida nos atrasou, mas a nossa vontade e vontade de nos encontrarmos sempre esteve em vigor.

DECLARAÇÃO FINAL

fonte: https://eflac.org/

Entenda os Encontros Feministas da América Latina e do Caribe (EFLAC)

Publicado em: 21/11/2023

Os Encontros Feministas da América Latina e do Caribe (EFLAC) são eventos que reúnem movimentos feministas de todo o continente latino-americano com o objetivo de gerar sinergia entre países, cidades, comunidades e organizações diversas.

Os Encontros acontecem a cada dois ou três anos desde 1981. Em 2023, chega à sua 15a edição em El Salvador, de 22 a 25 de novembro.

Conheça mais sobre a história e as características desses encontros a seguir.

Veja também nosso vídeo sobre feminismo no Brasil!

EFLAC: surgimento e crescimento

A primeira edição dos EFLAC aconteceu em Bogotá, Colômbia, em 1981 e reuniu cerca de 250 participantes, segundo registros da organização do evento.

Desde então, os encontros cresceram em número de pessoas e países sede, como Perú, Argentina, Costa Rica, República Dominicana e até o Brasil em duas ocasiões, em 1985 e 2005.

Os EFLAC acontecem em diferentes pontos do continente latino-americano, para evitar a concentração em áreas específicas e assim ampliar a possibilidade de participação das mulheres da região.

Segundo o site oficial do evento, seu principal objetivo é “contribuir com o fortalecimento da democracia na América Latina a partir da incorporação dos direitos humanos das mulheres desde uma perspectiva feminista na agenda dos Estados e sociedades” (tradução livre).

Em 2023, o país escolhido para ser sede foi El Salvador, com o lema “unidas, resistindo e avançando”. Essa é a segunda vez que o evento ocorre em San Salvador, a capital do país salvadorenho.

A edição anterior dos EFLAC aconteceu em 2017, no Uruguai, e mais de 2000 mulheres estiveram presentes. A 15ª edição deveria ter acontecido em 2020, mas devido à pandemia da COVID-19, as organizadoras decidiram reprogramar o encontro presencial.

Na primeira vez que o evento ocorreu em El Salvador, na década de 80, o país estava saindo de uma guerra civil e o movimento feminista nacional ainda era incipiente. A realização do encontro nesse momento foi um grande passo para o feminismo centro-americano, nas palavras da própria organização dessa edição:

“Tomar a decisão de postular como sede do 15º EFLAC 27 anos depois significou a revisão de trajetórias, temas trabalhados e conquistas que o movimento feminista em El Salvador conseguiu. Também significou uma deliberação e diálogos entre gerações muito enriquecedores” (tradução livre).

Imagem: EFLAC

O que os encontros defendem

Conforme novos coletivos e organizações feministas surgiram em distintos lugares da América Latina e do Caribe, a necessidade de encontrar-se e compartilhar suas realidades entre si foi se tornando cada vez mais presente.

Os EFLAC surgem como espaços para dialogar, debater e colocar em prática experiências, estratégias e ações de forma colaborativa e totalmente enfocadas no contexto latinoamericano.

Em sua comunicação oficial, os EFLAC afirmam que a diversidade de culturas e sociedades na nossa região também está refletida no movimento feminista latino-americano.

Veja também: Movimento feminista: história no Brasil

Mais do que um único movimento, falam de feminismos com focos e características distintas: “Os EFLAC têm sido espaços de reflexão teórica e posicionamento político, e também espaços para confrontar as diferenças e discrepâncias do movimento, o que contribuiu para pluralizar os feminismos”, explicam em sua página web.

Algumas das mobilizações que ganharam a região a partir dos EFLAC foram as criações de datas importantes para o feminismo latino-americano, como o Dia Internacional da Eliminação da Violência Contra a Mulher (25/11) e o Dia da Descriminalização do Aborto na América Latina e Caribe (28/09).

Essas datas foram estabelecidas nos EFLAC de 1981 e 1990, respectivamente.

Imagem: EFLAC

EFLAC 2023: edição número 15

Qualquer mulher ou grupo organizado pode participar do evento. A entrada da edição 2023 ficou no valor de US$ 100,00 e inclui o acesso ao evento, assim como transporte do aeroporto ao hotel, estadia e alimentação durante os quatro dias. Cada participante precisa arcar com os custos da passagem até o destino do encontro.

Normalmente, as participantes dos EFLAC são mulheres envolvidas com organizações feministas e sociais e que realizam ativismo político feminista em suas localidades, como fomentar o acesso a direitos sexuais e reprodutivos, lutar contra o racismo, entre outros.

Em 2023, a organização do encontro em San Salvador esperava a participação de mais de 1500 mulheres. A Comissão Organizadora responsável por essa edição foi formada por doze comissões de trabalho que se encarregaram de planificar e executar diferentes atividades, desde aspectos logísticos até a criação da agenda do evento.

As organizadoras contaram com o apoio de várias voluntárias e também de companheiras que estiveram na organização de EFLAC anteriores, uma espécie grupo consultivo para tirar dúvidas e pedir apoio.

Uma das integrantes da organização 2023 foi Sara Garcia, parte da Comissão de Gestão e da Comissão de Conteúdos e Metodologias do EFLAC 15. Sara trabalha ativamente na luta contra a despenalização do aborto em El Salvador e essa é sua segunda vez nos EFLAC.

Em entrevista a Politize!, ela contou que o evento em El Salvador começou a ser gestado na edição anterior, no Uruguai, onde ela e outras 50 companheiras salvadorenhas receberam a sugestão de que seu país fosse novamente sede.

Dentre os temas tratados na agenda do evento de 2023, Sara destacou a descriminalização do aborto e a luta contra grupos anti-direitos. Segundo ela, nesse último tempo vários retrocessos causados pela ascensão de governos autoritários na região apontam a importância do evento para lutar pelos direitos das mulheres.

“Então por isso é tão importante para nós realizar esse encontro nessa região, porque além da América Central ser um espaço de retrocessos democráticos e autoritarismo, também é uma região que resiste. E essa resistência centro-americana é o que queremos colocar no centro e é o que nos possibilitou unir-nos e gerar as condições para voltar a encontrar-nos”, afirmou ela.

A agenda de cada evento está composta por diálogos abertos em plenária e grupos de discussões sobre temas diversos. Também há espaço para atividades autoconvocadas, nos quais grupos ou mulheres que quiserem usar o encontro para promover alguma ação podem se inscrever por meio da página oficial do evento.

Imagem: EFLAC

“Queremos dar a possibilidade de que feministas de toda a região possam inscrever conversas, oficinas, apresentações de livros, exposições artísticas, etc.”, explicou Sara.

Outros aspectos da edição 15, como destacou a ativista, é o foco em ser um espaço inclusivo para pessoas trans, não-binárias, e outras diversidades. Além disso, o comitê organizador trabalhou para que o espaço fosse acessível para pessoas com deficiências e contasse com ferramentas de tradução para que mulheres que falam diferentes idiomas na região pudessem se sentir parte do diálogo.

“Estamos nos esforçando para romper a barreira e que esse encontro seja realmente latino-americano e do Caribe”, explica Sara.

Já conhecia os EFLAC? Ficou com vontade de participar de alguma edição? Deixe sua opinião e dúvidas nos comentários!

Referências:

 

Regiane Folter

Contadora de histórias formada em Jornalismo pela Unesp. Trabalhou com diferentes equipes em projetos de comunicação para meios, agências, ONGs, organizações públicas e privadas. É natural de São Paulo e atualmente vive em Montevidéu, Uruguai.

fonte: https://www.politize.com.br/eflac-encontros-feministas-da-america-latina/

 


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