Quase lá: O documentário Feministas O Que Elas Estavam Pensando?

O documentário está na Netflix, com a direção/roteiro de Johanna Demetraskas, além de contar com as fotografias do livro “Emergence” de Cynthia MacAdams, que serve de inspiração para o filme.

 

Publicado 12/04/2024 10:00 | Editado 12/04/2024 10:02 - Portal Vermelho (PCdB)

 

Ele apresenta a trajetória pessoal de mulheres norte-americanas, com relatos de suas histórias de existência. Um álbum de fotos da década de 1970 captura o seu despertar. A diretora Johanna Demetrakas revisita essas fotos e as histórias de vida das mulheres retratadas nelas, refletindo sobre as mudanças culturais que aconteceram desde então e a ainda presente necessidade de mudança.

O site Cinema com Rapadura publicou sobre esse dumentário. Cito alguns trechos;

“ ‘Para aqueles que acham que o movimento da liberação feminina é uma piada, conectado vagamente a sutiãs queimados e a entrar em bares masculinos, eu os confronto dessa noção. Trata-se de igualdade de salários e de oportunidade no mercado de trabalho’, sintetiza a deputada federal Shirley Chisholm em um dos registros coletados. Estranhamente, o trecho em questão, que poderia servir bem como uma introdução ao filme e ao que seria a luta da ‘segunda onda do feminismo’ nas décadas de 60 e 70, foi incluído somente em seu terço final. Há também citações das sufragistas, que fizeram parte da primeira onda do feminismo ao lutar pelo direito ao voto, que são apenas mencionadas sem nenhum contexto.

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Por outro lado, as histórias que ‘Feministas: O Que Elas Estavam Pensando?’ expõe são poderosíssimas. Michelle Phillips, atriz e vocalista do ‘The Mamas and the Papas’, fala sobre como foi entrar na banda, virar uma celebridade e também de sua saída conturbada do grupo”.

Michelle Philips foi compositora do maior sucesso da banda Mamas and the Papas, com California dreamin:

E mais: “Lily Tomlin (da série ‘Grace and Frankie’) exemplifica como as mulheres eram tidas como meros objetos de desejo masculino. E Phyllis Chesler, autora do sucesso “Women and Madness” (Mulheres e Loucura, em português) pontua o que teve que enfrentar ao decidir conciliar seu trabalho como professora, seus livros e a maternidade”.

Observo que são criativos o modo e a escolha de filmes, anúncios, da década de 60 que mostram os modelos de mulher, em manequins e em carne e osso, ou só carne,  como no filme “Os homens preferem as louras”. Modelos de família felizes, cujas imagens dão revoluções no estômago, sempre destacando a família e a mulher dócil, sorridente e estúpida. O leitor talvez não acredite, mas esse tipo de modelo de mulher sobrevive até hoje em séries e filmes, quando a esposa do criminoso nada sabe da sua vida real. Vive no luxo e conforto que caem do céu. Anoto ainda que o documentário esquece que as presenças de mulheres em filmes de ação, de aventuras na década de 60,  faziam os meninos gritarem de raiva, porque elas fariam o “artista” cair nas mãos dos bandidos, de tão vagarosas e atrapalhadas que eram. As imagens desse maldito tempo vistas hoje causam um desmedido e revoltado espanto.

No documentário, falam do que chamam “a segunda onda do feminismo”. Mas penso que a maior crítica a ser feita ao filme é que ele se detém nos limites de um feminismo liberal. Não são mencionadas, sequer de passagem, quem sabe em uma digressão essencial para iluminar as lutas, as feministas que viveram e vivem nos partidos comunistas. As bravas, sequer remotamente são lembradas, como Alexandra Kolontai, Nadejda Kruspskaia, Clara Zetkin, Angela Davis, e as soldadas do Exército Vermelho. Ah, mas aí poderia ser dito, “isso já era querer muito”. Ao que responderíamos e respondemos: não podemos deixar de aspirar ao máximo diante de um problema tão sério, tão grave. Seríamos miseráveis por renunciar à memória dessas bravas nas lutas das mulheres até hoje..

Mas ainda assim o documentário deve ser visto, discutido, levado ao conhecimento das estudantes e dos estudantes, das mulheres e dos homens do Brasil, que se encontram em um nível de consciência alienado das conquistas da civilização, não importa se burguesa. Observo, por fim, que esse documentário, como todo filme da indústria cultural, chega perto do abismo social e recua.  A crítica pode ser estendida inclusive aos melhores filmes de Hollywood, de um ponto de vista dramático. Eles chegam perto do abismo das crises existenciais e recuam, nunca o ultrapassam. O protagonista baleado se recupera, sempre.  O herói enforcado é visto antes da forca.     

Em um momento do filme aparece a bandeira “nossos corpos, nossa vida, nosso direito de decidir”. É bandeira justa, necessária, quando pensamos no direito ao aborto, até hoje não realizado para todas as mulheres do povo brasileiro.

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